Bravo formou-se em cinema nos Estados Unidos, mas foi no Brasil
que consolidou sua prática, trabalhando com os cineastas Walter Lima Jr.
e Ruy Guerra.
Como o título sugere, o filme de Bravo retrata uma família de origem
italiana, radicada em Curitiba, cujo patriarca, Giuseppe Padovani (Quinn, aos 85 anos),
está completando 93 anos com saúde fraca e com uma amargura que não lhe abandona desde
a morte da esposa, Catherine. Os confidentes de Giuseppe são a governanta Matilde -
interpretada por Marly Bueno - e o médico da família, interpretado por Paulo Autran.
Bravo quis homenagear a capital paranaense, não só escolhendo-a como
cenário, mas abrindo seu filme com tomadas aéreas, clássicas, dos locais tradicionais
da cidade. Na casa de Giuseppe Padovani, os membros da família se debatem em torno do
fracasso empresarial de uma tradicional fábrica de massas, iniciada por Giuseppe e
Catherine, mergulham em crises existenciais e Giuseppe, também atormentado pela idéia da
morte, é o mais deprimido. Mas chega o dia da festa de seu aniversário e ele conhece
Sofia (Letícia Spiller), uma sobrinha-neta que esteve na Itália estudando a origem de
sua família e que agora vem ter com os Padovani.
A jovem causa um encantamento no velho Giuseppe, que é transportado para
o passado, em meio aos episódios que antecederam o acidente de avião em que sua jovem
esposa morre. É com seu médico que Giuseppe vai refletir sobre seus sentimentos, vai
questionar a morte e a hipótese que lhe acaba de surgir na mente: será que Catherine
voltou ao mundo na pele da bela Sofia?
Longe de explicações metafísicas, o que o telespectador terá é a
emoção de dois grandes atores atuando. As dúvidas de Giuseppe ganham dimensão
universal e os diálogos entre Quinn e Autran são os melhores momentos do filme,
carregados de emoção e ternura.
Letícia pode não convencer enquanto Sofia, pois lhe falta a força que o
personagem exige. Mas é interpretando Catherine, com sua beleza emoldurada pelo cenário
da velha fábrica de massas, que a atriz vai acertar em cheio no gosto de qualquer
espectador. (Sandra Seabra, JT)