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ROMA. Gianfranco Fineschi,
ortopedista italiano que operou o Papa João Paulo II quando ele quebrou o fêmur numa
queda, em 1994, tornou-se o primeiro médico da equipe que o atende a reconhecer
publicamente que o Papa, de 80 anos, sofre de mal de Parkinson, doença neurodegenerativa
que causa problemas motores. O Vaticano nunca reconheceu oficialmente a doença.
Fineschi disse à revista italiana "Oggi" estar preocupado com a
saúde do Papa depois do estafante Jubileu de 2000, durante o qual o Pontífice teve
compromissos quase todos os dias. O Jubileu foi aberto no Natal de 1999 e se encerrará no
Dia de Reis, sábado, quando João Paulo II fechará a Porta Santa da Basílica de São
Pedro.
"Cada vez que o Papa viaja ou quando fica cansado durante um
compromisso oficial eu temo por ele", disse Fineschi à "Oggi". "Eu
deveria mandá-lo descansar, mas isso seria inútil. As várias operações que ele fez e
o mal de Parkinson o fazem sofrer muito. O Santo Padre tem uma estrutura física forte,
como a de um nadador, mas sem a ajuda de Deus não teria conseguido se manter em plena
atividade."
Fineschi cuida da saúde do Papa desde 1981, quando ele sofreu um
atentado. Rumores sobre a doença aumentaram no início dos anos 90, quando tornou-se
visível um tremor em sua mão esquerda. Algumas vezes João Paulo II apresenta outros
sintomas associados a Parkinson: rigidez nos músculos da face e passos lentos, com o
corpo curvado.
O Vaticano já disse que os tremores na mão do Papa deviam-se a danos nos
nervos resultantes do atentado de 1981. O mal de Parkinson afeta o sistema nervoso,
causando tremores e perda de coordenação motora. Os sintomas podem ser parcialmente
suprimidos com remédios enquanto a doença avança. No estágio final, o mal pode causar
distúrbios mentais. (O Globo) |