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Mario Baratta, 45, condenado
pela Justiça italiana em março de 1997 à prisão perpétua por assassinato e
envolvimento com a Máfia, foi preso anteontem, por volta das 11h, em Goiânia.
O italiano também foi condenado, dois meses depois, pela Justiça brasileira por utilizar
documentos falsos. Baratta era procurado desde setembro de 1999, quando fugiu da
penitenciária Esmeraldino Bandeira, em Bangu, no Rio.
Ontem, o condenado foi transferido da superintendência da Polícia
Federal de Goiás para o presídio de segurança máxima Ary Franco, em Água Santa (RJ).
A partir de agora começa uma série de tramitações burocráticas
para a extradição de Baratta, que vão desde a comunicação da prisão à Justiça
italiana até o levantamento de seus processos pela Justiça brasileira.
Com o recesso da Justiça Federal, até o final de janeiro, Baratta
deverá continuar no Brasil por mais um mês, tempo considerado curto pelo Ministério da
Justiça.
A secretária Nacional de Justiça, Elizabeth Sussekind, informou que
Baratta poderá ser extraditado a qualquer momento. "Nosso interesse é que ele seja
liberado para a Itália o mais rápido possível. Consideramos que a presença de uma
pessoa envolvida com o crime internacional organizado é nociva para o país." No ano
passado, o Ministério da Justiça extraditou 400 pessoas.
O pedido de extradição feito pela Justiça italiana foi deferido em
parte pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 1997, logo após a a condenação de Baratta
naquele país. Pela lei brasileira, o Supremo não concede extradição por motivos
políticos ou para fins de cumprimento de prisão perpétua.
Baratta pertencia a uma facção da Máfia tida como uma das mais
perigosas da região da Calábria, sul da Itália, segundo o delegado da Polícia Federal
João Batista.
Ele é casado com uma goiana e têm três filhos -dois nasceram no Brasil
e um nasceu na Itália.
Ele é citado no livro "Morcegos Negros", do jornalista da Folha Lucas
Figueiredo, como um dos mafiosos presos no Brasil após tratado de cooperação firmado
entre os dois países para investigar as relações financeiras de PC Farias com a Máfia.
(Gabriella Esper, Folha de São Paulo) |