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A outra moda da Itália desfila pelas ruas e não pelas calçadas

10/01/2001

 

 

   TURIM, Itália - Dario Trucco vai projetar um carro para um cliente, e cuidará da parte de engenharia. Se necessário, ele também vai fabricá-lo, e ajudar a divulgá-lo.

   A empresa da qual ele é o executivo-chefe, a Italdesign-Giugiaro, é uma das várias empresas de design de veículos e engenharia automotiva deste centro industrial no norte da Itália, que fornece qualquer um ou todos estes serviços por um valor. Antes conhecidos como carrozzerie, a palavra italiana para construtores de carroceria, eles são os costureiros de carros, criando formas clássicas para automóveis que os museus não hesitam em exibir como obras de arte.

   Em uma era de mercado globalizado, onde corporações gigantes lutam para competir em mercados extensos, tais operadores de pequena escala podem parecer relíquias de um período mais romântico. E de fato, eles traçam suas raízes a homens como Giorgetto Giugiaro, o fundador da Italdesign, ou Sergio Pininfarina, um concorrente, que projeta carros esportes e os constrói virtualmente à mão.

   Mas eles são tudo menos datados. É verdade que os negócios caíram recentemente, devido à consolidação na indústria automobilística que obrigou gigantes como DaimlerChrysler, General Motors e Fiat a repensarem seus planos de produtos. Mas estas empresas menores resistiram à corrida de fusões e aquisições que colocaram fabricantes especializadas de carros como Bentley, Ferrari e Maserati na mãos das gigantes. E devem enfrentar uma forte recuperação no setor, devido a seus impressionantes talentos ajudarem os fabricantes restantes a projetarem e construírem carros que se distingam das plataformas cada vez mais comuns do restante da frota de veículos.

   Poucas pessoas de fora do meio podem perceber, mas no setor automobilístico estúdios externos de design estão assumindo um papel cada vez maior no desenvolvimento de novos modelos. Com os automóveis se tornando cada vez mais um bem necessário, as indústrias de produção em massa estão reduzindo o número de plataformas de modelos ao mesmo tempo em que acrescentam variedade de oferta de modelos aos consumidores baseados nestas plataformas. Para produzir novos modelos distintos em plataformas cada vez mais comuns, a Volkswagen, GM e outras grandes fabricantes de carros estão se voltando para empresas de design de pequeno e médio porte, muitas com sede nos arredores de Turim.

   O mercado global para design e produção de automóveis independentes movimenta cerca de US$ 3 a 5 bilhões (R$ 5,8 a 9,7 bilhões), disse Trucco, um veterano com 15 anos na Pininfarina e ex-executivo da Delphi Automotive Systems Corp. que se juntou a Giugiaro em 1997, acrescentando que "o mercado europeu está vendo um crescimento de dois dígitos".

   Há empresas de design e fabricantes especializados fora da Itália. Na Alemanha, por exemplo, empresas como Bertrandt AG, Karmann GmbH e a divisão de engenharia da empresa de carros esporte Porsche são especializadas em vender projetos para grandes empresas do setor automobilístico. Na França, a divisão de automóveis da Lagardere Matra, um conglomerado de comunicação e aeroespacial, produz modelos para a Renault.

   Apesar de trabalharem com estas firmas independentes, as grandes empresas criaram suas próprias divisões de design. A Volkswagen estabeleceu um centro de design em Barcelona, Espanha, enquanto a Toyota montou seu centro europeu de design em Sophia-Antipolis, no sul da França. E nos Estados Unidos, uma série de centros de design de automóveis -tanto independentes quanto de grandes empresas- estão localizados no Sul da Califórnia.

   Porém as empresas internas dificilmente conseguem competir em termos de agilidade na solução de problemas, em parte por causa de sua rapidez na solução de problemas, e em parte porque a independência e pequeno tamanho delas as tornam ágeis, assim como sua disposição em compartilhar fornecedores e experiência de fabricação umas com as outras.

   Quando as encomendas são grandes e o tempo é curto, estas empresas não hesitam em utilizar o mesmo fornecedor, geralmente uma pequena oficina com um punhado de empregados, para produzir uma parte necessária ou um modelo em escala. E poucos concorrentes de outros países conseguem igualar a consistente impetuosidade e versatilidade das casas de design italianas, que ao longo de grande parte do último século produziu clássicos, da Ferrari Testarossa até o Volkswagen Golf.

   A indústria de design de automóveis da região, que remonta o início da indústria automobilística em Turim há um século, floresceu após a Segunda Guerra Mundial sob a direção de homens como Nuccio Bertone. Bertone, que morreu em 1997, criou uma rede de negócios particularmente ampla, em uma era em que a palavra globalização era desconhecida. Nos anos 1950, quando os escombros da guerra mal tinham sido recolhidos, ele fornecia projetos e produtos para a Arnold, um fabricante especializada de automóveis de Indiana, para a Simca da França e a BMW da Alemanha. Em 1961, ele estava fornecendo projetos e engenharia para uma empresa japonesa com sede em Hiroshima, que posteriormente se tornaria a Mazda. Tais atividades ajudaram Bertone e outras empresas, graças a troca de experiência, a reunir a melhor da tecnologia e das práticas de design.(John Tagliabue, The New York Times. Tradução: Geor George El Khouri Andolfato).

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