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Dois livros que estão sendo lançados em Porto Alegre, por
duas editoras diferentes, tratam, ambos, da imigração européia para o Rio Grande do
Sul.
As duas obras se complementam, na medida em que uma aborda a imigração
italiana e a outra, a alemã.
Trata-se das duas imigrações européias que atingiram com intensidade o Sul
do Brasil a partir do século 19, quando a América recentemente havia sido libertada e
procurava atrair mão-de-obra para diversificar suas culturas no campo e estimular uma
incipiente industrialização nas cidades.
Italianos
Sobre a colonização italiana, o autor é José Clemente
Pozenato, o mesmo de "O Quatrilho", livro que inspirou o filme homônimo de
Fábio Barreto.
Em "A Cocanha" (Mercado Aberto), José Clemente Pozenato procura
mostrar os dramas dos imigrantes na chegada ao Brasil.
O autor busca as origens da imigração na aldeia de Roncà, de onde
camponeses pobres deixavam a Itália, partindo para o porto de Gênova e, depois, para a
América.
É relatada a viagem, a chegada ao Brasil e as decepções sofridas por um
povo que vislumbrava uma terra e um futuro dourados.
O termo "cocanha" foi documentado pela primeira vez no século 12.
Refere-se a um modelo de sociedade utópica, no qual há fartura plena. Tal visão foi
promovida pela própria propaganda brasileira. O país queria atrair trabalhadores
europeus.
"Na frente, um homem traz nos ombros uma menina com guirlandas nos
cabelos. Dois passos atrás, o rosto arroxeado pelo vento frio, um jovem imberbe ergue bem
alto o galhardete, feito em pano de lençol. Nele se lê, em grandes letras tortas: Viva
la Mérica (...)", assim inicia-se o novo livro de Pozenato.
Visão alemã
Na visão alemã do início da colonização, o "Diário
de um Imigrante" (Maneco), escrito e ilustrado pela artista plástica Rita Brüger,
tem a condução do imigrante Johann Ludwig, personagem criado pela autora para narrar a
saga da família Bauer, pioneira na leva de alemães que buscavam sua "cocanha".
Brüger mistura pesquisa com ficção em uma obra que não se limita aos
textos.
Tem, também, aquarelas e desenhos seus, de alta qualidade, que ilustram todo
o livro.
A artista plástica apresenta, durante sua narrativa, a visão dos imigrantes
alemães durante a década de 1920 (a trama do livro se inicia alguns anos antes da
história contada por Pozenato sobre os italianos).
Atraídos pela possibilidade de fartura e pelo clima mais quente do Brasil,
os imigrantes acabam encontrando um país marcado pelas injustiças sociais. (LÉO
GERCHMANN, da Agência Folha, em Porto Alegre).
Diário de um Imigrante
Autora: Rita Brüger
Editora: Maneco
Quanto: R$ 60 (133 págs.)
A Cocanha
Autor: José Clemente Pozenato
Editora: Mercado Aberto
Quanto: R$ 34,50 (372 págs.) |