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PARIS - O túnel sob o Canal da Mancha foi considerado a
obra do fim do século na Europa. Agora, a decisão de construir novo túnel ferroviário
sob os Alpes, entre a Itália e a França, oficialmente anunciada ontem pelo presidente
Jacques Chirac e pelos chefes dos governo francês, Lionel Jospin, e italiano, Giuliano
Amato, será o maior canteiro de obras do inicio do milênio no continente. Esse túnel
ferroviário, de 52 quilômetros, ligando Saint Jean de Maurienne e Bussoleno, faz parte
do projeto de construção de uma linha de alta velocidade, TGV, de 300 quilômetros,
entre Lyon e Torino.
O custo desse projeto está sendo estimado em US$ 10 bilhões, US$ 6
bilhões só para o túnel e US$ 4 bilhões para a linha ferroviária. Como aconteceu com
o túnel sob o Canal da Mancha, seu custo pode dobrar.
Tudo depende do respeito ao cronograma da obra e das dificuldades que
poderão ser encontradas para escavar a rocha. A obra deverá estar concluída na melhor
das hipóteses em 2015. A partir de sua abertura, o trajeto Lyon-Torino será feito em
apenas uma hora e meia e entre Paris e Torino em três horas e meia. Para Jacques Chirac,
o projeto é irreversível.
Lionel Jospin já autorizou a liberação de US$ 350 milhões para o
início do programa de estudos e de trabalhos que vão permitir a abertura de galerias de
reconhecimento para estudo das camadas geológicas. O novo megatúnel sob os Alpes terá
financiamento misto, público e privado. O objetivo dessa obra é aumentar a capacidade de
transporte ferroviário de caminhões nessa região, pois o tráfego entre a Itália e a
França encontra-se saturado. Hoje, os caminhões que utilizam os túneis na região dos
Alpes transportam 40 milhões de toneladas de mercadorias anualmente, mas esse volume
deverá dobrar nos próximos dez anos. (Reali Júnior, OESP) |