A morte sábado em Genebra de Marie-José de Savóia,
esposa de Umberto II, último e efêmero rei da Itália, animou o debate entre
partidários e adversários do regresso à Itália dos pretendentes ao trono.
A proibição aos descendentes
masculinos do último rei da Itália de residirem na península foi adotada em 1946,
através de uma norma transitória da Constituição, que estipula que "os ex-reis de
Savóia, suas esposas e descendentes masculinos não podem entrar, nem residir, em
território nacional".
O pretendente direto ao trono, Vittòrio Emanuèle III, 64 anos, filho de
Umberto II e de Marie-José, tinha nove anos a 6 de junho de 1946, quando abandonou
definitivamente a Itália com seus pais, obrigados a abdicar depois de 27 dias de reinado.
O herdeiro suposto da coroa, Emanuèle Filiberto, 29 anos, filho de
Vittòrio Emanuèle de Savóia, nasceu na Suíça e nunca pisou em terra italiana.
A proibição imposta à família real foi justificada pelo passado de
Vittòrio Emanuèle III, rei da Itália de 1900 a 1946, que colaborou com o regime
fascista de Mussolini, e foi quem assinou e ratificou as leis raciais de 1938 que
discriminavam os judeus.
Em 1997, Romano Prodi, chefe do governo de centro-esquerda, apresentou ao
Parlamento um projeto de emenda constitucional que autorizava o regresso dos Savóias.
Adotado pela câmara dos deputados em dezembro de 1997, o projeto ficou parado no
Parlamento.
Um dos mais reticentes a propósito dos Savóias era Carlo Azeglio Ciampi,
que participou na resistência contra o fascismo, ministro da economia do governo Prodi e
atualmente Presidente da República.
O telegrama de pêsames enviado domingo à família Savóia por Ciampi foi
considerado por muitos observadores como um gesto de pacificação.
"Os italianos lembram com muito respeito o grande amor que
Marie-José tinha pela Itália, sua exemplar dignidade e suas idéias liberais",
escreveu o presidente Ciampi.
Os líderes de direita, Silvio Berlusconi à frente, prometeram que se
vencerem as próximas eleições a primeira decisão será autorizar o regresso da
família real.
Os verdes e os comunistas se opõem porque os Savóia jamais reconheceram
oficialmente a República, um passo considerado imprescindível.
Os Savóia, por sua vez, não facilitaram as coisas.
Há poucos meses, interrogado por um canal de televisão, Vittòrio Emanuèle afirmou que
as leis raciais adotadas por seu avô não "tinham sido tão terríveis", e
depois teve que pedir desculpas.
Mais de 7 mil judeus italianos morreram nos campos de extermínio durante
a 2ª Guerra Mundial. (Terra)
Morre última rainha da
Itália
ROMA -- A última rainha da Itália, Maria José, que reinou com seu
marido Umberto II por apenas 27 dias, morreu. Seu filho, Vittorio Emanuele, disse que a
mãe, de 94 anos, faleceu em um hospital de Genebra, na Suíça.
Maria José e Umberto reinaram nos últimos dias da monarquia, ao fim da
Segunda Guerra Mundial, antes do plebiscito que transformou a Itália em uma república,
em 2 de junho de 1946.
Nascida princesa Maria José Charlotte Henrietta Gabriella da
Saxônia-Coburgo, em 4 de agosto de 1906, em Ostend, ela era filha do rei Alberto da
rainha Elizabeth, da Bélgica.
Passou a maior parte da infância na Itália e seus biógrafos acreditam
que seu casamento com o príncipe Umberto, filho do rei Vittorio Emanuelle III, foi
arranjado quando ela era ainda muito jovem.
Os dois se casaram em grande estilo em 1930, no palácio de Quirinale,
então residência oficial da monarquia e agora sede da presidência da Itália.
O rei Vittorio Emanuelle III nomeou Benito Mussolini primeiro-ministro em
1922, mas quando a ditadura do premier alcançou seu apogeu o príncipe Umberto e Maria
José foram excluídos da vida pública, por sua reputação de antifascista.
O casal teve quatro filhos - Maria Pia, nascida em 1934, Vittorio
Emanuelle (1937), Maria Gabriella (1941) e Maria Beatrice (1943).
As críticas recebidas após a guerra levaram Vittorio Emanuelle III a
abdicar do trono em 9 de maio de 1946, deixando o futuro da monarquia nas mãos do povo.
Umberto e Maria José reinaram interinamente por 27 dias, até que o
plebiscito decidiu pela república. Antes que o resultado fosse divulgado, porém, o casal
real partiu para Portugal.
No ano seguinte, ela deixou o marido e fixou residência em Genebra, onde
passou a trabalhar para a Cruz Vermelha Internacional e escreveu diversos livros sobre os
duques de Savóia e também a biografia de seus pais.
Forçada a deixar a Itália com a queda da monarquia, Maria José
finalmente ganhou o direito de voltar ao país, 41 anos depois. Em março de 1988, fez a
primeira de uma série de visitas ao país.
A constituição italiana ainda mantém uma cláusula que impede a entrada
no país dos herdeiros do sexo masculino da casa de Savóia, a família real italiana.
(CNN) |