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Universidade italiana anuncia a criação de "MIT europeu"

29/01/2002

 

 

ANELISE GOMES
especial para a Folha Online, em Roma

   A universidade italiana La Sapienza, a maior e uma das mais tradicionais instituições de ensino européias, com 155 mil estudantes, anunciou a criação de um ateneu de ciência e tecnologia. Considerado uma espécie de MIT (Massachusetts Institute of Technology), o local deverá ser inaugurado ainda este ano, em Roma, recebendo um investimento estimado em 190 bilhões de liras (aproximadamente R$ 237 milhões).

   Para unir o ensino à pesquisa, a universidade pretende firmar parcerias com empresas locais. O ateneu será estrategicamente construído na via Prenestina, área caracterizada pela concentração de grandes nomes da indústria tecnológica romana.

   Atualmente, cerca de 37 mil estudantes frequentam o curso de ciência e tecnologia da universidade e a maior parte dos recursos italianos destinados à pesquisa científica são provenientes do setor público.

   Segundo o Miur (Ministério de Instrução da Universidade e Pesquisa), anualmente apenas 1,03% do PIL (ou PIB) italiano é empregado em pesquisa no país, contra uma média de 2,2% de outras nações da União Européia. Entre os países do velho continente, a Itália ocupa uma das últimas posições no ranking dos mercados com maiores investimentos e competitividade no setor de pesquisa científica, assim como Espanha, Grécia e Portugal. Ainda segundo o ministério, a faixa etária média dos pesquisadores italianos oscila entre 44 a 59 anos.

   A construção do pólo de ciência e tecnologia é o primeiro passo da La Sapienza rumo ao federalismo acadêmico, política de descentralização dos cursos da universidade em uma holding de seis ateneus. O pró-reitor da universidade, Gianni Orlandi, explica que cada unidade terá independência financeira, administrativa e didática. Os recursos destinados à pesquisa serão controlados pela matriz.

   Para Rocco Rizzo, representante dos doutorados de pesquisa do CNSU (Conselho Nacional dos Estudantes Universitários), com a criação de diversas ateneus, pode haver preocupações entre os estudantes sobre a qualidade do ensino superior. "Esperamos que haja um equilíbrio entre estrutura, número de estudantes e preparação do corpo docente."

   Atualmente, a La Sapienza mantém três sedes (Rieti, Latina e CivitaVecchia) e, mesmo com a multiplicação dos ateneus e provável crescimento do número de estudantes, a direção da universidade não teme que sua imagem seja associada ao ensino de massa. "Antes, o fluxo de inscrições na universidade era controlado por um número limitado de vagas. Agora preferimos orientar os estudantes sobre as ofertas do mercado de trabalho e permitir que, eventualmente, ele escolha um outro curso universitário sem perder os créditos das matérias que já cursou."

   Orlandi comenta que, para maximizar o acesso da população à universidade, garantindo a qualidade do ensino e colocando no mercado profissionais capacitados, a La Sapienza mantém núcleos de avaliação de sua atividade didática que contam com a participação ativa dos estudantes.

   Desde a aprovação da lei Ruberti, em 1989, as universidades públicas italianas conquistaram autonomia para definir suas constituições internas e gerir seus recursos financeiros. No entanto, Orlandi afirma que a reforma didática segue com lentidão no país e que um dos problemas que continua a afligir o ensino superior italiano é o tempo médio de graduação de seus universitários. Em vez de quatro ou cinco anos, grande parte dos estudantes italianos graduam-se em seis ou sete anos. (© Folha Online)

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