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da Reuters, em Roma
Ambientalistas italianos pediram ao governo para mudar uma nova
legislação que permite a privatização de praias, alegando que isto afetaria as
riquezas ecológicas e turísticas do país.
Enquanto ministros se encontravam na sede do governo, ativistas se reuniram
para protestar contra o que chamaram de "o mais grave ataque ao meio ambiente
italiano lançado nos últimos anos".
Os manifestantes planejavam entregar a cada ministro um vidro contendo areia.
"Esta será a última partícula de areia que eles poderão ter sem
pagar, caso a lei não seja modificada rapidamente", disse Cristiano Brughitta do
grupo Italia Nostra.
O Fundo Mundial Selvagem (WWF, na sigla em inglês), cujos ativistas
compareceram ao protesto, disse que milhares de pedidos de compra de espaço em praias já
foram feitos.
Em Lázio, na região onde fica Roma, a iniciativa privada já apresentou
cerca de 300 pedidos, disse a organização.
"O governo disse que quer mudar a lei e que já apresentou uma emenda ao
Senado, mas levará semanas ou meses", afirmou Cristina Maceroni, uma porta-voz do
WWF.
Uma porta-voz do Ministério do Meio Ambiente disse à Reuters que o ministro
Altero Matteli havia inserido uma cláusula cancelando a lei e antecipando-se a possíveis
processos de potenciais donos de praia em um decreto atualmente em discussão no Senado.
A disposição legal no centro do protesto foi aprovada como parte do projeto
de lei do orçamento deste ano. Ironicamente, o governo e alguns parlamentares admitiram
que a medida foi aprovada por engano.
Segundo a lei, a propriedade de praias, margens de rios e lagos poderia ser
transferida do Estado para instâncias municipais, dando-lhes o poder de vendê-las a
indivíduos.
Para piorar as coisas, de acordo com o WWF, um pré-requisito para se
adquirir a propriedade das praias é que os candidatos já tenham atividades de
construção nos locais.
A WWF afirma que 58% da costa italiana passa por intensas obras. (© Folha Online) |