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Berlusconi é a favor do plano de ajuda de US$ 8 bi à Fiat

03/01/2003

 

 

ROMA e MILÃO. O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, afirmou que a fabricante de automóveis Fiat, que enfrenta uma séria crise financeira, precisa encontrar novos investidores entre empresários italianos. Isso deu força ao plano do ex-presidente da Telecom Italia, Roberto Colaninno, para um pacote de ajuda à Fiat de US$ 8 bilhões.

   Esta semana, os jornais italianos especularam sobre a proposta de Colaninno, que, sozinho, entraria com US$ 1 bilhão. Outros pontos de seu plano incluem a venda de subsidiárias do grupo, como a seguradora Toro e a empresa de aviação Fiat Avio, para levantar recursos.

   Se posto em prática, esse plano reduziria significativamente a participação da família Agnelli, fundadora da Fiat, no grupo. Eles teriam de dividir o controle da empresa — há um século nas mãos da família — com outros executivos, incluindo Colaninno. Mas a Fiat ficaria em mãos italianas, como quer Berlusconi.

Colaninno quer evitar que GM assuma controle da Fiat

   Em seu discurso de fim de ano, na terça-feira, o primeiro-ministro não se referiu especificamente a Colaninno, mas disse esperar que a montadora se abrisse para outros empresários italianos.

   — Há grupos com uma grande capacidade de empreendimento — disse Berlusconi.

   A montadora americana General Motors (GM) tem 20% da Fiat Auto e pode ser forçada a comprar os 80% restantes em um ano. Um ponto nevrálgico do plano de Colaninno é liberar a GM dessa obrigação, o que abriria caminho para que outros investidores assumissem o controle da Fiat, disse o jornal “Corriere della Serra”.

   Segundo o “New York Times”, Colaninno já teria apresentado sua proposta aos bancos credores da Fiat. O jornal citava um executivo da empresa, que não quis se identificar, dizendo que o plano era factível. Um porta-voz de Colaninno não confirmou nem negou essa informação.

   Colaninno surpreendeu o mundo empresarial italiano em 1999, ao assumir a gigante das telecomunicações Telecom Italia por US$ 30 bilhões. Dois anos depois, porém, ele perdeu o controle da empresa para o consórcio firmado por Pirelli e Benetton.

   Ontem, o vice-presidente da Fiat, Umberto Agnelli, disse que não havia nenhum “Plano Colaninno”, apenas o projeto de reestruturação já aprovado pelos credores da empresa, que, entre outras medidas, inclui o corte de 8.100 empregos.

   — Agradeço o interesse, mas quero lembrar, mais uma vez, que só há um plano, que foi aprovado pela diretoria (da Fiat) e acertado com os bancos credores e o governo — disse Agnelli. — A prioridade da Fiat Auto hoje é avançar no programa.

   A Fiat, a maior empregadora do setor privado da Itália, tem sofrido com dívidas crescentes, queda nas vendas e prejuízos em sua unidade de automóveis, estimados em US$ 2,1 bilhões em 2002. Na semana passada, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou os papéis da Fiat para junk (de altíssimo risco).

   Numa tentativa de reduzir seu endividamento, que estava em US$ 33 bilhões no fim de dezembro, a Fiat vendeu sua participação de 5% na GM para a Merrill Lynch, por US$ 1,16 bilhão, e a financiadora Fidis para seus credores, por US$ 416 milhões.

(© O Globo On Line)

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