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Polícia italiana admite ter 'fabricado provas' em Gênova

12/01/2003

Centenas de pessoas ficaram feridas nos protestos

 

A imprensa italiana está publicando trechos de um inquérito policial sobre o encontro do Grupo dos 7, realizado em Gênova, em 2001, no qual alguns policiais admitem terem fabricado provas contra manifestantes.

   No centro do inquérito está uma blitz numa escola que estava sendo usada como dormitório por manifestantes antiglobalização, onde dezenas de pessoas ficaram feridas.

   Pietro Troiani, um alto funcionário da polícia, teria admitido, ao ser questionado, que dois coquetéis molotov que teriam sido encontrados na escola foram na verdade colocados no local pela polícia.

   Na verdade, as bombas haviam sido encontradas em outra parte da cidade, onde os manifestantes e a polícia haviam entrado em choque mais cedo.

Testemunhas

   Uma das principais testemunhas é Michele Burgio, o motorista de Troiani, que admitiu ter colocado as bombas na escola.

   De acordo com a imprensa, Troiani admitiu a promotores públicos que a fabricação de provas contra os manifestantes era "uma coisa estúpida".

   A polícia também está investigando um ataque contra um policial, Massimo Nucera.

   O delegado Franco Gratteri, diretor do Centro de Serviços Operacionais, teria dito que os manifestantes não foram os autores do ataque, mas o teriam estimulado.

   Gratteri disse que o "ataque" tinha o objetivo de justificar o excesso de violência usado contra alguns manifestantes.

   Das 93 pessoas detidas na escola na madrugada do dia 22 de julho, 72 ficaram feridas, e todas foram depois liberadas.

   Desde o início do inquérito, pelo menos 77 policiais estão sendo investigados por uso excessivo da força e três delegados foram transferidos de seus postos.

   A transcrição de algumas entrevistas foi publicada em jornais italianos, incluindo o jornal de esquerda La Repubblica e o jornal genovês Il Secolo XIX.

   Manifestantes dizem que a polícia bateu neles, quebrou janelas e destruiu computadores.

   O correspondente da BBC, Bill Hayton, que estava do lado de fora da escola Diaz, ouviu os gritos que vinham de dentro do prédio e viu os corpos sendo levados em macas.

   Quando a polícia deixou o local ele viu sangue no chão e nas paredes de uma sala no primeiro andar.

   Centenas de manifestantes ficaram feridos durante os protestos, e um morreu com um tiro disparado por um policial.

(© BBCBrasil.com)

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