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Mafioso acusa ex-premier Andreotti

20/01/2003

 

 

Número 2 da Sicília rompe silêncio

Peter Popham
The Independent

   ROMA - Um delator da máfia italiana descreveu com detalhes um panorama devastador de cumplicidade entre autoridades políticas da Itália e os gângsteres da Sicília, ao apresentar provas contra o ex-primeiro-ministro italiano Giulio Andreotti.

   Antonino Giuffre, número dois da máfia siciliana até a sua prisão em abril do ano passado, disse à corte de sua prisão em Milão:

   - As relações entre os democratas-cristãos e a Cosa Nostra foram serenas por pelo menos uma década. Havia paz absoluta.

   Com isto, ele fornecia provas contra o democrata-cristão de 83 anos que foi premier por sete vezes e serviu a 30 governos. Andreotti está atualmente enfrentando uma apelação dos procuradores contra a sua soltura em 1999 depois de ter sido preso sob acusação de ''associação com a máfia''.

   Num outro caso, Andreotti foi considerado culpado, após um apelo judicial em novembro, de ter ordenado o assassinato de um jornalista investigativo e foi sentenciado a 24 anos de prisão. Ele está apelando da sentença.

   Giuffre, que depôs atrás de uma tela, disse ter sido divinamente inspirado a colaborar nas investigações depois que o papa canonizou o Padre Pio, do Sul da Itália.

   Na semana passada, num caso separado em Palermo, Giuffre afirmou que a máfia também mantinha estreitas relações com o atual primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, cujo partido, Forza Italia, ocupa todos os 61 assentos da Sicília no Parlamento.

   - Graças aos bons serviços de Andreotti, a Cosa Nostra tirou proveito de um período de impunidade - disse ele diante de advogados do ex-premier.

(© estadao.com.br)

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