Número 2 da
Sicília rompe silêncioPeter Popham
The Independent
ROMA
- Um delator da máfia italiana descreveu com detalhes um panorama devastador de
cumplicidade entre autoridades políticas da Itália e os gângsteres da Sicília, ao
apresentar provas contra o ex-primeiro-ministro italiano Giulio Andreotti.
Antonino Giuffre, número dois
da máfia siciliana até a sua prisão em abril do ano passado, disse à corte de sua
prisão em Milão:
- As relações entre os
democratas-cristãos e a Cosa Nostra foram serenas por pelo menos uma década. Havia paz
absoluta.
Com isto, ele fornecia provas
contra o democrata-cristão de 83 anos que foi premier por sete vezes e serviu a 30
governos. Andreotti está atualmente enfrentando uma apelação dos procuradores contra a
sua soltura em 1999 depois de ter sido preso sob acusação de ''associação com a
máfia''.
Num outro caso, Andreotti foi
considerado culpado, após um apelo judicial em novembro, de ter ordenado o assassinato de
um jornalista investigativo e foi sentenciado a 24 anos de prisão. Ele está apelando da
sentença.
Giuffre, que depôs atrás de
uma tela, disse ter sido divinamente inspirado a colaborar nas investigações depois que
o papa canonizou o Padre Pio, do Sul da Itália.
Na semana passada, num caso
separado em Palermo, Giuffre afirmou que a máfia também mantinha estreitas relações
com o atual primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, cujo partido, Forza Italia,
ocupa todos os 61 assentos da Sicília no Parlamento.
- Graças aos bons serviços
de Andreotti, a Cosa Nostra tirou proveito de um período de impunidade - disse ele diante
de advogados do ex-premier.
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