'Marca Brasil - O
Brasil como Marca' é o nome da exposição itinerante que será inaugurada na
terça-feira em Roma e depois segue para Londres, Paris e FrankfurtCAMILA MOLINA
Uma exposição itinerante vai apresentar o
design brasileiro na Europa. Trata-se da mostra Marca Brasil - O Brasil como Marca,
inaugurada em Roma, especificamente na Galleria Cândido Portinari do Palazzo Pamphilj, a
Embaixada do Brasil na Itália. Com curadoria de Joice Joppert Leal, a exposição depois
segue para Londres, Paris, Frankfurt, Genebra e Madri e deve terminar no próximo ano no
Japão.
Cerca de 200 peças brasileiras foram reunidas
para se mostrar a "cara do Brasil". Vestuário, calçados, móveis, redes,
jóias, objetos de vidro, jogos de porcelana, a bicicleta Caloi, aparelhos
eletroeletrônicos, tecidos com corantes naturais e até mesmo materiais para construção
civil, entre outros produtos, estarão circulando pela Europa com o objetivo de divulgar o
design nacional realizado por criadores como Cláudia M. Salles, Luciano Devià, Sérgio
Rodrigues e os estilistas Lino Villaventura e Walter Rodrigues, por exemplo. "O
Brasil sempre teve uma cara, mas a gente não conseguia enxergar isso, tanto do ponto de
vista tecnológico quanto da criatividade", diz Joice. O design faz a diferença de
um produto, mas o processo depende do modo como o produto brasileiro é apresentado, como
complementa a curadora.
Joice Joppert Leal está há 27 anos
trabalhando na promoção de design e tecnologia. Durante 20 anos chefiou a área de
Design e Tecnologia da Fiesp/Ciesp. Em 1996, criou a instituição Objeto Brasil em
parceria com o Instituto Unimep - Fórum Permanente Universidade Empresa. Mapear e
valorizar a identidade da "Marca Brasil" são as prioridades da instituição
que realizou em dezembro de 2000 a exposição Objeto Brasil - Design nos 500 Anos, na
Pinacoteca.
Design é uma ação multidisciplinar que
envolve criatividade e transita entre o marketing e a área comercial, como lembra Joice
e, desse modo, a exposição itinerante que será inaugurada na Itália é uma maneira de
impulsionar a internacionalização do produto brasileiro. O Brasil tem suas vantagens que
devem ser cada vez mais exploradas: matérias-primas invejáveis como madeiras e corantes
naturais, a empatia no exterior e um design que mistura alta tecnologia (nesse campo
estão também os produtos reciclados) e artesanato.
"A cultura incorporada no objeto é o que
permite o diferencial. O olhar do designer é importante para garimpar produtos antigos e
fazer produtos novos", diz Joice.
Nesse sentido, a curadora cita o exemplo da
retomada das sandálias Havaianas - "hoje um hit em Londres, onde custam US$
70". "O que o design fez com ela (as Havaianas)?", pergunta Joice que
responde que antigamente as sandálias eram voltadas para o consumo da classe D e hoje,
com suas cores, estão atingindo diversas camadas. "Design não é para uma elite
econômica, mas para todas as camadas." Outro exemplo seria o resgate do tênis
Conga. Outro fator ressaltado por Joice é a abertura do mercado no Brasil que
possibilitou a vinda de produtos para o País. "Isso obrigou as indústrias a
investirem em design para ampliar a exportação."
A exposição Marca Brasil - O Brasil como
Marca, realizada com o apoio de Marcelo Suzuki, vai ficar em cartaz em Roma até 10 de
fevereiro. Será uma mostra dinâmica uma vez que novos produtos serão agregados de
acordo com seus lançamentos - já que a exposição ocorrerá ao longo deste ano. Por
exemplo, em Roma, não haverá brinquedos nem cosméticos que poderão ser incorporados ao
longo da itinerância. Ao mesmo tempo, a Objeto Brasil vai lançar no dia 8, na
Pinacoteca, o livro Um Olhar sobre o Design Brasileiro.
A publicação, com co-edição da Imprensa
Oficial, será traduzida para outras línguas para que possa ser levada para a Europa
durante o percurso da grande mostra.
(© O Estado de S. Paulo) |