Última beldade italiana a
seduzir Hollywood, a atriz de Malena vai aparecer na seqüência de Matrix,
em um drama com Bruce Willis e numa versão da Paixão de Cristo assinada por Mel Gibson.
E ainda encontra tempo para o cinema europeu, atuando em produções italianas e francesas Cannes - Comparada a
Sophia Loren, em seus 30 e poucos anos, a atriz Monica Bellucci é a última italiana a
seduzir Hollywood. A morena dona de medidas invejáveis vai embelezar a continuação de Matrix,
ao lado de Keanu Reeves, e o drama Lágrimas do Sol, em que contracena com Bruce
Willis. "A última coisa que considero ao receber uma oferta de trabalho é onde o
filme será rodado. Vou para qualquer lugar, desde que goste do roteiro", disse
Monica, que iniciou a carreira como modelo.
Por dominar outros
idiomas - além do italiano, fala inglês e francês -, Monica não se limita a uma única
língua no cinema. Após ter dividido o set de filmagem com o ícone francês Gérard
Depardieu em Astérix e Obélix: Missão Cleópatra, a atriz nascida em Perugia
rodou recentemente na Itália Ricordati di Me, sob a direção de Gabrielle
Muccino. Este ano ela ainda viverá Maria Madalena na nova versão cinematográfica da
Paixão de Cristo assinada por Mel Gibson, The Passion.
"Tenho um agente
em Los Angeles, que me ajuda a selecionar as melhores propostas da indústria americana.
Mas nunca deixarei a Europa", afirmou a atriz, que estreou em Hollywood na pele de
uma das noivas do personagem-título de Drácula de Bram Stoker (1992). O cineasta
Francis Ford Coppola escalou Monica após ver sua foto em revista de moda. "A
participação no filme foi tão pequena que, por pouco, o meu nome não figura nos
créditos", brincou.
Uma das poucas a quem a
palavra "diva" realmente se aplica, Monica não se incomoda em ter a beleza
desfigurada nas telas. Após ter sido linchada em Malena, com direção do italiano
Giuseppe Tornatore, a atriz de 34 anos é estuprada e mutilada em plano-seqüência de 20
minutos no inédito Irreversível, um polêmica produção francesa. "Faço
papéis degradantes com o propósito de denunciar a violência contra a mulher",
afirmou. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista que Monica concedeu à Agência
Estado, em Cannes.
AE - Até que ponto a beleza pode restringir as escolhas
de uma atriz no cinema?
Monica Bellucci - A beleza só se torna um problema
quando a atriz conta unicamente com ela na carreira. Se você for inteligente, pode
usá-la a seu favor. Eu sempre me senti à vontade com a minha aparência. Não apenas
porque me acho bonita, mas porque tive a sorte de ser muito amada. Sentir-se bem é um
reflexo da sua vida interior.
Com Hollywood a seus pés, pensa em redirecionar a
carreira, priorizando os filmes mais comerciais?
Não. Isso nunca foi o meu objetivo. Eu aceitei atuar em The
Matrix Reloaded (com estréia nas telas brasileiras em 23 de maio) porque sou fã dos
irmãos Wachowsky, responsáveis pela franquia. Gosto muito de Ligadas pelo Desejo
e o primeiro Matrix.
Sua personagem, a diabólica Persephone, também estará
na próxima seqüência, "The Matrix Revolutions" (com lançamento em novembro)?
Tudo indica que sim. Mas não posso revelar nada, pois a
Warner exige sigilo absoluto.
Como foi contracenar com um astro como Bruce Willis em
"Lágrimas do Sol" (com lançamento nos cinemas nacionais em 11 de abril)"?
Foi maravilhoso descobrir que ele não é simplesmente o
protagonista da série Duro de Matar. Willis é um ator que explora outras
possibilidades cinematográficas, como Pulp Fiction - Tempo de Violência e Vida
Bandida. Aceitei o papel não só pela chance de trabalhar com o ator, mas também com
o diretor Antoine Fuqua (mais conhecido por Dia de Treinamento). Eu interpreto uma
médica, salvando 70 refugiados na Nigéria.
Como encarou a fria recepção em Cannes de
"Irreversível" (ainda inédito no Brasil, onde terá distribuição da Europa
Filmes)?
Eu me envolvi com o projeto justamente por acreditar no
ponto de vista forte e particular do diretor Gaspar Noé. O filme é extremamente realista
e violento, o que o torna obviamente difícil de digerir. Por gostar de obras como Saló
ou 120 Dias de Sodoma, de Pasolini, encaro o cinema como uma forma de reflexão. E
não apenas diversão. Só o fato de Irreversível ter convidado ao diálogo já me
deixou satisfeita.
A seqüência do estupro seguido de mutilação é
difícil de assistir. Como foi rodá-la?
Ainda mais difícil. Minutos antes de filmar eu não tinha
a menor idéia do que iria fazer. Mesmo assim, preferi não ensaiar o estupro para não
perder o impacto. Só entrei na situação quando a câmera foi ligada. Confesso que
fiquei ainda mais nervosa quando o ator que supostamente me violenta (Jo Prestia) começa
a me espancar. Graças a Deus ele é um boxeador profissional, o que lhe garantiu o
controle total na hora de dar socos e pontapés. Ele interrompia o movimento faltando um
centímetro para me acertar.
É verdade que inicialmente "Irreversível"
seria um filme pornô, protagonizado por você e o seu marido (o ator francês Vincent
Cassel)?
Sim (risos). Por ser um grande amigo nosso, o diretor
Gaspar Noé sugeriu que fizéssemos algo do gênero. Ele queria levar a nossa química da
vida real às telas e brincar com isso. Só que a idéia caminhou para uma outra
direção, ainda que Vincent interprete o meu namorado em Irreversível. O que se
vê na tela, quando estamos juntos na cama, é interpretação. Mesmo quando discutíamos
a idéia do filme pornô, Vincent e eu deixamos claro que recorreríamos a dublês para as
cenas mais explícitas. Não permitiríamos que uma câmera invadisse a nossa intimidade. Elaine Guerini
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