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Itália quer mais rigor para as tarifas de frango brasileiro

28/01/2003

 

 

Bruxelas - A representação italiana junto às comunidades européias defende hoje junto ao Conselho de ministros europeus da agricultura, reunido em Bruxelas, que o peito de frango desossado e o filé de peru sejam incluídos no regulamento comunitário que aumentou o teor de sal do filé de frango, alterando simultaneamente as alíquotas de importação. Não satisfeitos, os italianos pedem ainda que o limite de 1,9% de teor de sal seja aumentado.

   A nova regra de julho de 2002 modificou a relação teor de sal/alíquota de importação. Todo frango que entra no mercado comunitário, desde então, com até 1,9% de sal paga 33% de tarifa. A partir dessa quantidade de sal, as alíquotas baixam para 15,4%. Antes, o regulamento europeu previa tarifas reduzidas para o frango congelado com teor de sal a partir de 1,2%. Assim, o peito de frango congelado brasileiro entrava na Europa com um teor de sal em torno de 1,6%, beneficiando-se de alíquotas de 15,4%.

   Fontes comunitárias dizem que a nova regra comunitária foi a forma encontrada "para acabar com a astúcia de alguns exportadores brasileiros" e acreditam que as respostas da UE às consultas feitas pelo Brasil no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), em dezembro, devem ter sido suficientes, porque um possível pedido de painel nesse caso "seria uma atitude sensacionalista", comenta a mesma fonte.

   O Brasil alega que a medida afetou as exportações de frango para o mercado europeu. No primeiro semestre de 2002, o País chegou a exportar à Europa 116.994 toneladas de frango em pedaços. Desse volume, 75% ou 87.745,5 toneladas foram de filé de frango salgado e congelado.

   Em outras palavras, com a nova medida a carne de frango brasileira salgada e congelada passou a ser submetida a um direito de importação mais elevado, além de tarifas adicionais. Respectivamente, US$107,52/100 kg + cerca de US$42/100 kg de taxa adicional, enquanto a tarifa ad valorem aplicada às carnes salgadas, não ultrapassam 15%, ou cerca de US$36,75/100 kg.

Nova batalha

   Para justificar o pedido de hoje, a delegação italiana sugere que com a medida adotada, no ano passado, esperava-se "freiar o afluxo anormal" de carne de frango salgada que entrava no mercado europeu como "carne fresca, refrigerada ou congelada", o que não aconteceu, segundo os italianos.

   Segundo as últimas estatísticas da Comissão, a UE importou somente de frango congelado e salgado, entre janeiro e novembro de 2001, 210.806 toneladas. No mesmo período do ano passado, as importações comunitárias do mesmo produto foram de 151.577 toneladas. Ou seja: houve uma redução das importações.

   Mas, não satisfeita, a Itália reclama ainda que o regulamento comunitário "não satisfez na plenitude, porque ele restringe-se a um certo tipo de produto (filé de peito de frango salgado)". E relata aos ministros hoje, que segundo informações recolhidas junto aos serviços alfandegários dos Estados membros, existem países, como a Alemanha, que estão interpretando o regulamento de forma diferenciada, deixando uma porta aberta às importações brasileiras.

   O fluxo do comércio de carne de frango dentro do mercado comunitário em 2001 foi de 4.370.004 de toneladas, enquanto em 2002 (até novembro) foi de 3.091.129 de toneladas, segundo dados da Comissão.

   Já os maiores importadores do filé de frango brasileiro são o Reino Unido, a Holanda e a Alemanha - esta última é responsável por mais da metade das compras. Os fortes exportadores europeus ao mercado externo são a França e a Holanda.

   A Itália foi o sexto importador de carne de frango do mercado externo em 2001 (29.026 toneladas) e o sétimo exportador para os países fora da Europa (33.115 toneladas). Nas vendas de carne de frango dentro do mercado europeu, a Itália aparece ao lado de Grécia e Suécia com os piores desempenhos em 2002. Os produtores italianos venderam à Europa 114.684 toneladas em 2001, contra 36.314 toneladas no ano passado. Samla Mesquita

(© estadao.com.br)

Exportações de frango serão foco da agenda de Lamy no Brasil
 

   Bruxelas - O comissário europeu de comércio, Pascal Lamy, terá um encontro de 45 minutos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na próxima sexta-feira, em Brasília, no qual discutirão uma maior cooperação no âmbito do Mercosul e para a agenda das negociações multilateriais. Lamy também estará com cinco ministros, entre eles, Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio exterior, e Roberto Rodrigues, da Agricultura. Com estes, tratará um dos temas mais delicados da agenda: as exportações brasileiras de frango ao mercado comunitário.

   Lamy vai dizer às autoridades brasileiras que o nitrofurano, um antibiótico proibido no Brasil desde maio de 2002, continua sendo detectado na carga de frango desembarcada na Europa. Segundo a porta-voz do comissário Lamy, Arancha Gonzalez, por esse motivo fica difícil "reavaliar a decisão de aplicar o teste de detecção do nitrofurano em 100% da carga", medida em vigor desde setembro do ano passado. O teste era aplicado pela União Européia, até então, em uma amostra correspondente a 3% da carga.

   Outro impasse também com frangos leva o Brasil, atualmente, a questionar no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) as novas tarifas de importação impostas por Bruxelas, no dia 29 de julho de 2002, para a carne salgada e congelada. As novas regras comunitárias aumentaram o nível de sal do frango congelado para 1,9%, alterando simultaneamente as alíquotas de importação de 15,4% para 33% de tarifa. A medida européia prejudicou as exportações brasileiras para a UE, segundo alega o governo brasileiro.

   A Comissão enfrenta neste tema a resistência interna de países membros, como a Itália, que gostaria de ver "mais rigor" na aplicação das medidas anteriores e ainda pede adoção de novas regras, a fim de estender as tarifas maiores a produtos como o peito de frango não desossado e os filés de peru. A proposta italiana será discutida amanhã, no conselho de ministros de agricultura.

Quebra de patentes

   Os europeus temem uma posição futura mais radical do Brasil junto à OMC na questão das duas queixas relacionadas com frangos, porque, segundo fontes comunitárias, a UE "não pode desconsiderar que faz parte do governo atual um grande empresário do setor" - referência ao ministro Furlan, um dos sócios controladores da Sadia, que é um dos maiores grupos no Brasil do setor de avicultura.

   A UE gostaria de evitar um enfrentamento com o Brasil neste caso, porque tem outros interesses no relacionamento com o País. Arancha Gonzalez deixa claro que a prioridade da União Européia (UE) atualmente é buscar "convergências" para as negociações multilateriais dentro do ciclo de Doha e também sobre a quebra de patentes para medicamentos por países em desenvolvimento, ambos os temas levantados no âmbito da OMC.

   No caso da quebra de patentes, a UE defende que a Organização Mundial da Saúde (OMS) arbitre caso algum país solicite a quebra de patentes para enfermidades infecciosas sem previsão no futuro acordo da OMC. A UE admitiria, então, que a lista a ser consolidada seja as das 15 doenças infecciosas propostas pelos Estados Unidos, onde incluiriam Aids, tuberculose e malária.

Couro e Pneus

   No entanto, entre os interesses bilateriais, do lado europeu, alguns temas voltam à mesa. As tarifas brasileiras às exportações do couro bruto, abertura de mercado para "pneus remoldados" e as orientações do novo governo para a escolha da tecnologia de transmissão terrestre de televisão digital (TVD-T).

   A Europa, como grande importadora mundial de couro bruto, reivindica, não é de hoje, a redução da tarifa de 9% para as peles exportadas do Brasil. Quer também convencer o governo brasileiro que pneus remoldados não são recauchutados porque, segundo eles, são pneus dos quais as empresas recauchutadoras aproveitam somente a carcaça para fazer um novo. No Brasil, recauchutados ou remoldados esbarram em várias normas vetando a importação de pneus usados, como a do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

   Lamy chega a São Paulo nesta quarta-feira para um almoço com empresários na Câmara Alemã de Comércio e encontra-se à tarde com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva. Na quinta, estará no Rio de Janeiro para uma conferência na Fundação Getúlio Vargas e uma visita à Fundação Oswaldo Cruz. Dia 31, sexta-feira, cumprirá a agenda de Brasília.

(© estadao.com.br)

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