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Grupo italiano planeja invadir bases dos EUA em caso de guerra

28/01/2003

 

 

Por Rodrigo Leite, especial para a Reuters

   PORTO ALEGRE (Reuters) - Um grupo de ativistas italianos planeja invadir embaixadas norte-americanas e bases da Otan assim que os Estados Unidos lançarem a prometida ofensiva contra o Iraque, anunciaram ativistas do Desobbedienti, um movimento de desobediência civil que participa do 3 Fórum Social Mundial em Porto Alegre.

   "A guerra no Iraque será uma oportunidade para lançar uma mensagem contra as ações norte-americanas. Podemos ser milhões em todo o mundo", disse Luca Casarini, ativista do Desobbedienti, que, segundo ele, reúne 20 mil militantes.

   Casarini acrescentou, no painel Insurgência Cidadã Contra a Ordem Estabelecida, que o grupo está articulando protestos semelhantes com outros países, especialmente na Europa, e também prepara campanhas para que as pessoas boicotem empresas e bancos que financiem o conflito.

   Segundo ele, o objetivo do protesto não é defender o regime de Saddam Hussein, ameaçado por uma possível invasão americana e britânica.

   "Não queremos bancar os ridículos na frente de um quartel, queremos também mostrar que Saddam é um ditador e que o presidente George Bush apenas o usa, como usava Osama bin Laden, para justificar seus atos."

   Casarini afirmou ainda, divulgando antecipadamente a ação, que os desobedientes sabem que irão encontrar segurança reforçada nas bases e embaixadas, mas ainda assim prometem levar o protesto adiante.

   "Estamos discutindo, sempre de forma pública, qual a melhor maneira de garantir nossa segurança. Certamente haverá policiais e bombas, num esquema de guerra contra os civis", afirmou.

   Um dos alvos já definidos é a base americana de Camp Derby, na Toscana (região central da Itália), um ponto estratégico para o envio de armas e equipamentos ao Oriente Médio.

   "Não basta apenas mobilizar milhões de pessoas nas praças. Temos de entrar lá e sabotar para que não possa haver guerra", disse Francesco Caruso, preso em novembro de 2002 na Itália sob acusação de subversão e hoje também integrante do Desobbedienti.

   No próximo dia 15, os desobedientes vão emitir por satélite um programa de TV em solidariedade ao Iraque que poderá ser visto naquele país.

   Uma semana depois, eles fazem em Roma uma reunião com representantes do Exército Zapatista de Libertação Nacional, grupo mexicano que reivindica melhores condições para os indígenas.

   Os desobedientes dizem que estão aproveitando o encontro de Porto Alegre para aprender com um grupo de argentinos conhecido como Piqueteiros a fazer bloqueios de estradas.

   "Os Piqueteiros integram um movimento pacífico, assim como nós, que nunca recorremos às armas de fogo. Há mil maneiras de combater a guerra. Cada cidadão é um veículo de marketing e deve se expressar contra a guerra", disse Casarini.

   Na opinião dele, "a desobediência é a única forma de combater os fundamentalismos".

   "Somos contra qualquer tipo de fundamentalismo, seja o de Alá ou o de Wall Street. Achamos que nesse processo surgirá uma outra legalidade, uma mudança radical das leis nacionais e internacionais."

(© UOL Notícias)

Anúncio de apoio italiano aos EUA em possível guerra irrita oposição

O primeiro-ministro, pressionado, não explica com clareza a posição de seu governo

ASSIMINA VLAHOU
Especial para o Estado

   ROMA - A declaração do porta voz da Casa Branca, Ari Fleischer, de que a Itália estará ao lado dos EUA numa possível guerra contra o Iraque, assim como Espanha, Polônia e Grã-Bretanha, desencadeou duras reações na oposição ao governo de Silvio Berlusconi e até na coalizão governista de centro-direita.

   Pressionado pelas reações políticas e pela imprensa, Berlusconi não conseguiu dar uma resposta convincente e segura sobre a posição de seu governo. O ministro do Exterior italiano, Franco Frattini, confirmou na visita que fez a Washington no começo da semana que a Itália estaria ao lado dos EUA mesmo sem a aprovação da ONU - em contraposição à França e a Alemanha. Depois da declaração de Fleischer o governo achou melhor adotar um discurso mais cauteloso.

   "George Bush tem certeza de que os inspetores da ONU apresentarão provas claras no dia 27", afirmou Berlusconi. O líder italiano disse também ter conhecimento de outros fatos que demonstram a existência de armas de destruição em massa nos arsenais de Saddam Hussein. "Não posso dizer mais, pois são informações reservadas", concluiu.

   Segundo Berlusconi, a Itália vai definir sua posição após consultar o Parlamento e com base na resolução da ONU. Ele acredita também que depois das declarações de Alemanha e França não há sentido numa reunião dos líderes europeus sobre a crise.

   As declarações de Berlusconi não foram suficientes para acalmar os ânimos e eliminar a impressão de retorno à ambigüidade demonstrada pelos italianos em outros momentos delicados de política internacional.

   O Partido Verde pede que o governo esclareça sua posição no Parlamento o mais depressa possível e deixe de ser "o Pôncio Pilatos da política internacional".

   Pacifistas, europeístas, boa parte dos católicos e esquerda italiana são contra a guerra e concordam com a linha franco-alemã. Entre eles estão cerca de 60 parlamentares da coalizão de governo que assinaram um apelo contra a guerra. "O mundo está tomando posição. E nós, de que lado estamos?" pergunta Massimo D'Alema, ex-primeiro-ministro e líder do DS, maior partido da esqueda italiana.

(© O Estado de S. Paulo)

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