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ROMA -- O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi,
acusou o Poder Judiciário de persegui-lo, mas indicou que não renunciaria mesmo que
fosse considerado culpado de corrupção em um julgamento que está em andamento, em
Milão.
Reagindo a uma decisão da Suprema Corte, que rejeitou seu pedido para
transferir o julgamento para outra cidade, Berlusconi afirmou que a Constituição
italiana estava ameaçada.
"Eu cumprirei meu dever de primeiro-ministro até o final, sem nunca
trair o mandato que me foi dado por meu eleitorado", disse, em um pronunciamento
transmitido pela televisão, na quarta-feira.
"Enfrentando essa incrível perseguição judicial, continuarei a me
defender, como tenho feito até agora, orgulhoso e calmamente certo do fato de que não
infringi a lei ou a moralidade pública".
Berlusconi está sendo julgado por acusações de subornar juízes durante
uma disputa para assumir o controle de empresas.
"O que está em jogo aqui são os princípios da Constituição, a
separação dos poderes e o funcionamento das instituições", declarou ainda o
premier.
A decisão de terça-feira da Suprema Corte significa que um veredicto
potencialmente devastador no caso de suborno poderia ser proferido ainda em 2003,
coincidindo com o momento em que a Itália assume a Presidência rotativa da União
Européia.
Políticos de centro-esquerda defenderam a decisão da Suprema Corte e
criticaram os comentários de Berlusconi.
"Esse foi um discurso arrogante e ameaçador", disse Piero
Fassino, o líder do maior partido de oposição italiano, os Democratas da Esquerda.
"Berlusconi deve saber que nós também lutaremos até o final para
evitar qualquer distorção da legalidade", advertiu, de acordo com a agência de
notícias ANSA. (Com informações da Reuters)
(© CNN.com.br)
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