| Músico, símbolo da influência italiana em São Paulo, tinha 55
anos
JOÃO LUIZ
SAMPAIO
Morreu na noite de domingo, aos 55 anos, o
maestro Augustinho Záccaro. Ele estava internado no Hospital do Rim e Hipertensão e
entrou em coma induzido após uma cirurgia, a sétima desde que sofreu um transplante de
rim em agosto do ano passado. Seu corpo foi velado ontem pela manhã no Cemitério da Vila
Mariana, na zona sul da cidade, e o enterro estava marcado para a tarde de ontem.
Záccaro ficou conhecido pelo grande público
após apresentar durante mais de uma década os programa Záccaro e Italianíssimo, nas
redes Bandeirantes, Record e CNT de televisão. Os programas eram gravados no Teatro
Záccaro, espaço alugado por ele de 1981 a meados da década de 90, que serviu de palco
também para artistas como Fausto Silva (que lá gravava seu Perdidos na Noite), Dercy
Gonçalves e Chico Anysio.
Neto de italianos, Záccaro começou cedo na
música, aos 4 anos. Tocava acordeão - a professora ia dar aulas a seu irmão e ele
observava, arriscando-se sozinho no instrumento. Com 7, iniciou suas aulas de piano e, aos
13, formava-se professor.
Dividido entre a carreira de concertista e de
músico de conjunto, formou banda e trabalhou animando bailes. "Foram os bailes que
me ajudaram a manter uma vida profissional e que patrocinaram todos os meus
empreendimentos", disse certa vez em uma entrevista.
Considerava-se um romântico, "100%, sem
desconto e abatimento" e, como maestro, reconhecia como principais influências a
música italiana, napolitana, "popularesca". Trabalhou como pianista ao lado de
Flávio Cavalcanti, acompanhando cantores da MPB, experiência que mais projetou seu nome
em todo o Brasil.
Em 1981, começava seu programa na Rede
Bandeirantes. Ficou 13 anos no ar durante as tardes de sábado até que, em 94, perdeu o
horário por causa de alterações na programação da emissora que, numa tacada só,
também tirou do ar o Clube do Bolinha e o programa Crítica e Autocrítica.
Na ocasião, confessou abertamente - uma de
suas marcas ao longo da vida - que ficara magoado com a emissora a quem emprestou o teatro
em diversas ocasiões: Chacrinha, Fausto Silva e Marília Gabriela foram alguns dos
artistas a gravar seus programas no palco do Teatro Záccaro. Fora do ar ou nas telas de
televisões de todo o Brasil, Záccaro participou ativamente da vida musical da cidade,
tornando-se, ao longo dos anos, um símbolo da influência italiana na cultura paulistana.
(© O Estado de S. Paulo) |