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Sepultado em SP o corpo do maestro Záccaro

06/02/2003

Záccaro: o maestro definia-se como um romântico “100%, sem desconto e abatimento” e reconhecia como principal influência em seu trabalho a música napolitana

 

Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC
Com AE

   O maestro Augustinho Záccaro morreu às 23h deste domingo, em São Paulo, aos 55 anos. Após submeter-se à sétima cirurgia em menos de seis meses, entrou em coma induzido no Hospital do Rim e Hipertensão, na rua Borges Lagoa. O corpo do maestro foi velado no Cemitério da Vila Mariana, onde ocorreu o sepultamento, às 17h desta segunda. Segundo parentes, Záccaro sofreu um transplante de rim em agosto do ano passado e, desde então, com complicações pós-operatórias, passou por esses procedimentos cirúrgicos.

   Záccaro comandou o programa Italianíssimo durante 25 anos na Gazeta, onde estreou em 1978, na Bandeirantes – onde ficou 13 anos no ar – e na CNT, gravado no teatro que leva seu nome. Atualmente, era exibido no Canal 21, aos domingos, às 14h30. Música, culinária e turismo, tudo sobre a Itália, e merchandising faziam parte da atração. O maestro e seu conjunto animaram bailes e festas com temática italiana em São Paulo e no Grande ABC, São Caetano principalmente.

   Paulistano nascido na Avenida Paulista e neto de italianos, formou-se em piano e acordeom aos 14 anos, quando montou o primeiro conjunto. A partir dos salões de baile, já diplomado em curso superior de Música e em Direito, Záccaro foi animador musical de navio em rotas pelo Norte e Nordeste do Brasil, onde chegou a diretor artístico.

   Em entrevistas, deu opiniões contundentes sobre homossexual (“Deveria ser segregado mesmo para todos saberem que, se tomarem tal atitude dúbia, estarão estragando a sociedade”, quando o então prefeito de São Paulo Jânio Quadros expulsou homossexuais da Escola Municipal de Balé), política (“O Brasil precisa de um homem que ame sua terra e arrume um cinturão de bons generais para limpar à força esse país”) e povo brasileiro (“É um povo salafrário e corrupto, que quando chega ao poder quer usufruir mais ainda às expensas do governo”).

(© Diário Online)

Morre o maestro Augustinho Záccaro
 

Músico, símbolo da influência italiana em São Paulo, tinha 55 anos

JOÃO LUIZ SAMPAIO

  Morreu na noite de domingo, aos 55 anos, o maestro Augustinho Záccaro. Ele estava internado no Hospital do Rim e Hipertensão e entrou em coma induzido após uma cirurgia, a sétima desde que sofreu um transplante de rim em agosto do ano passado. Seu corpo foi velado ontem pela manhã no Cemitério da Vila Mariana, na zona sul da cidade, e o enterro estava marcado para a tarde de ontem.

   Záccaro ficou conhecido pelo grande público após apresentar durante mais de uma década os programa Záccaro e Italianíssimo, nas redes Bandeirantes, Record e CNT de televisão. Os programas eram gravados no Teatro Záccaro, espaço alugado por ele de 1981 a meados da década de 90, que serviu de palco também para artistas como Fausto Silva (que lá gravava seu Perdidos na Noite), Dercy Gonçalves e Chico Anysio.

   Neto de italianos, Záccaro começou cedo na música, aos 4 anos. Tocava acordeão - a professora ia dar aulas a seu irmão e ele observava, arriscando-se sozinho no instrumento. Com 7, iniciou suas aulas de piano e, aos 13, formava-se professor.

   Dividido entre a carreira de concertista e de músico de conjunto, formou banda e trabalhou animando bailes. "Foram os bailes que me ajudaram a manter uma vida profissional e que patrocinaram todos os meus empreendimentos", disse certa vez em uma entrevista.

   Considerava-se um romântico, "100%, sem desconto e abatimento" e, como maestro, reconhecia como principais influências a música italiana, napolitana, "popularesca". Trabalhou como pianista ao lado de Flávio Cavalcanti, acompanhando cantores da MPB, experiência que mais projetou seu nome em todo o Brasil.

   Em 1981, começava seu programa na Rede Bandeirantes. Ficou 13 anos no ar durante as tardes de sábado até que, em 94, perdeu o horário por causa de alterações na programação da emissora que, numa tacada só, também tirou do ar o Clube do Bolinha e o programa Crítica e Autocrítica.

   Na ocasião, confessou abertamente - uma de suas marcas ao longo da vida - que ficara magoado com a emissora a quem emprestou o teatro em diversas ocasiões: Chacrinha, Fausto Silva e Marília Gabriela foram alguns dos artistas a gravar seus programas no palco do Teatro Záccaro. Fora do ar ou nas telas de televisões de todo o Brasil, Záccaro participou ativamente da vida musical da cidade, tornando-se, ao longo dos anos, um símbolo da influência italiana na cultura paulistana.

(© O Estado de S. Paulo)

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