Umberto Agnelli deve ser indicado presidente da Fiat nesta semana. Ele é
irmão de Gianni, o legendário dirigente do grupo italiano, que morreu em
janeiro.
O atual presidente da Fiat, Paolo Fresco, disse que vai recomendar Umberto à
diretoria nesta sexta-feira, quando os diretores se reúnem para discutir o agravamento da
crise da montadora.
Havia a expectativa de que Fresco continuasse no cargo pelos próximos meses,
mas ele disse que estava saindo mais cedo para "facilitar" a sucessão.
"Tenho certeza de que minha decisão representa uma mensagem forte de
clareza para aqueles fora e dentro do grupo", disse Fresco, ex-vice presidente da
General Electric, que assumiu o posto principal da Fiat em 1998.
Tristeza nacional
O grupo vem sendo abalado por dívidas crescentes na divisão de carros, que
produz as marcas Lancia, Alfa Romeo e Fiat.
Depois do anúncio de que Umberto Agnelli assumiria a presidência, as
ações da Fiat subiram nos mercados europeus.
A morte de Gianni Agnelli, em janeiro, provocou tristeza nacional na Itália.
O patriarca da Fiat foi o presidente da empresa por 30 anos, construindo um
império mundial, antes de se aposentar, em 1996.
Medidas duras
Umberto Agnelli tem 68 anos dirige a holding da família Agnelli, IFI
e IFIL, que detém o controle da Fiat, com 30% do capital.
Ele é considerado uma escolha conservadora para o comando do grupo.
Alguns investidores temem que ele não queira adotar as medidas duras que,
acreditam, sejam necessárias para recuperar o desempenho do grupo.
Apoio do governo
Paolo Banfi, administrador de fundos do Euroconsult, em Milão, disse que
Fresco esteve no controle durante os piores anos da história da Fiat.
"Mas Umberto Agnelli é uma escolha conservadora, ele vai apoiar os
interesses da família, não os dos bancos ou os dos acionistas", observou.
Giulio Brunetta, administrador de fundos do Alpe Adria Gestioni, disse que o
estilo empresarial americano de Fresco levou ao afastamento dele da família Agnelli, que
instintivamente confiava no apoio do governo.
"O governo italiano sempre apoiou a Fiat, a família Agnelli sabe disso
e as ligações da Fiat com o governo devem se fortalecer com a posse de Umberto",
disse.
Dívidas pesadas
O primeiro ministro da Itália, Silvio Berlusconi, recentemente conversou com
Umberto sobre os problemas que o grupo vem enfrentado.
Entre as dificuldades, pesadas dívidas e a perspectiva de que o grupo caia
nas mão de um grupo estrangeiro.
Em 1996, a Fiat trocou 20% do capital da Fiat Auto por 6% da gigante
americana General Motors (GM). Agora, o grupo tem a opção de forçar a GM a comprar o
restante da Fiat a partir de 2004.
Berlusconi disse que quer manter em mãos de italianos empresa que mais gera
empregos.
(© BBCBrasil.com)
Saiba mais
visitando o site oficial da FIAT italiana
ou da FIAT do Brasil