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Gina de Azevedo Marques
Especial para O Globo
ROMA. As violentas erupções recentes do Etna e do Stromboli, que não
eram considerados perigosos; a volta da atividade vulcânica na Ilha de Panarea e
sucessivos terremotos na Sicília estão fazendo cientistas italianos suspeitarem que os
vulcões do país entraram numa nova e preocupante fase.
Com uma das maiores concentrações de vulcões ativos da Europa, a Itália
se acostumou a eles. Porém, nos últimos meses, o aumento da atividade vulcânica está
fazendo os italianos lembrarem que o perigo de uma catástrofe nunca deixou de existir.
Dos vulcões italianos Stromboli, Panarea, Vulcano, Marsili, Etna,
Ilha Ferdinandea, Panteleria, Vesúvio, Campos Flegrei e Isquia só o Panteleria
não exibe qualquer atividade. O Etna, o Stromboli e o vulcão submarino junto a Panarea
estão lançando gases.
O susto mais recente aconteceu em 28 de dezembro quando o até então
pacífico Stromboli se enfureceu e assustou a população da ilha homônima. Sua cratera
rachou e dela saiu um raro fluxo veloz de lava. Atualmente, o volume do fluxo diminuiu,
mas continua ativo.
Não é a primeira vez que isto acontece. Mas o vulcanólogo Mauro Rosi, da
Universidade de Pisa, explica que, com a mudança da atividade do Stromboli, a montanha
perdeu estabilidade. O Stromboli, que já causou um maremoto, preocupa a Defesa Civil.
Na pequena ilha de Panarea, em 3 de novembro passado, foram abertas crateras
no vulcão submarino que exalam gases. Cientistas tentam compreender o fenômeno. Perto de
Panarea e do Stromboli está outro vulcão em atividade, o Vulcano, que desde 1890,
porém, só exala gases, sem entrar em erupção. Sua cratera está sob o mar junto a uma
praia freqüentada por turistas. Mudanças na composição dos gases, todavia, fizeram
vulcanólogos temerem uma erupção violenta.
Com 3.350 metros, o Etna é o vulcão ativo mais alto da Europa. Em 2002, ele
entrou num período de intensa atividade e suas erupções começaram a alarmar os
sicilianos. O acesso ao vulcão, antes uma atração turística, está proibido. E o
aumento da violência das erupções não é a única preocupação. Cientistas dizem que
o vulcão está relacionado a uma série recente de terremotos.
Nem sempre é possível estabelecer uma ligação entre as erupções
vulcânicas e os terremotos, mas neste caso os sismos e a atividade do Etna parecem ter
uma origem comum. A placa sob o vulcão está se movendo em direção ao leste e envolve
zonas profundas, produzindo terremotos e a subida do magma. Porém, não sabemos qual dos
dois eventos começou primeiro explicou Giovanni Frazzetta, do Instituto Nacional
de Geofísica e Vulcanologia da Itália.
(© O Globo
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| Vesúvio pode causar uma
tragédia |
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ROMA. A preocupação dos cientistas não é
se o Vesúvio vai acordar, mas quando isso acontecerá. Ele é considerado um dos mais
perigosos vulcões do mundo e tem todos os ingredientes para uma tragédia histórica.
As erupções do Vesúvio são do tipo explosivo. Isso significa que liberam
nuvens de gases ferventes que viajam a mais de 300 quilômetros por hora a uma temperatura
de 600 graus Celsius. Foi uma nuvem dessas, chamada de fluxo piroclástico, que devastou
Pompéia e Herculano no ano 79. Além disso, a área em torno do vulcão é densamente
povoada: 1,6 milhão de pessoas vivem na zona de risco e o plano de escape para
população não é considerado satisfatório.
O vulcão dorme desde de 1944, quando causou mais prejuízos a tropas aliadas
na Segunda Guerra do que um bombardeio alemão. O Vesúvio é constantemente monitorado
por um observatório em sua base.
(© O Globo
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