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Itália teme a fúria renovada de seus vulcões

04/03/2003

O Etna, em foto colhida a partir do LandSat


 

Gina de Azevedo Marques
Especial para O Globo

   ROMA. As violentas erupções recentes do Etna e do Stromboli, que não eram considerados perigosos; a volta da atividade vulcânica na Ilha de Panarea e sucessivos terremotos na Sicília estão fazendo cientistas italianos suspeitarem que os vulcões do país entraram numa nova e preocupante fase.

   Com uma das maiores concentrações de vulcões ativos da Europa, a Itália se acostumou a eles. Porém, nos últimos meses, o aumento da atividade vulcânica está fazendo os italianos lembrarem que o perigo de uma catástrofe nunca deixou de existir.

   Dos vulcões italianos — Stromboli, Panarea, Vulcano, Marsili, Etna, Ilha Ferdinandea, Panteleria, Vesúvio, Campos Flegrei e Isquia — só o Panteleria não exibe qualquer atividade. O Etna, o Stromboli e o vulcão submarino junto a Panarea estão lançando gases.

   O susto mais recente aconteceu em 28 de dezembro quando o até então pacífico Stromboli se enfureceu e assustou a população da ilha homônima. Sua cratera rachou e dela saiu um raro fluxo veloz de lava. Atualmente, o volume do fluxo diminuiu, mas continua ativo.

   Não é a primeira vez que isto acontece. Mas o vulcanólogo Mauro Rosi, da Universidade de Pisa, explica que, com a mudança da atividade do Stromboli, a montanha perdeu estabilidade. O Stromboli, que já causou um maremoto, preocupa a Defesa Civil.

   Na pequena ilha de Panarea, em 3 de novembro passado, foram abertas crateras no vulcão submarino que exalam gases. Cientistas tentam compreender o fenômeno. Perto de Panarea e do Stromboli está outro vulcão em atividade, o Vulcano, que desde 1890, porém, só exala gases, sem entrar em erupção. Sua cratera está sob o mar junto a uma praia freqüentada por turistas. Mudanças na composição dos gases, todavia, fizeram vulcanólogos temerem uma erupção violenta.

   Com 3.350 metros, o Etna é o vulcão ativo mais alto da Europa. Em 2002, ele entrou num período de intensa atividade e suas erupções começaram a alarmar os sicilianos. O acesso ao vulcão, antes uma atração turística, está proibido. E o aumento da violência das erupções não é a única preocupação. Cientistas dizem que o vulcão está relacionado a uma série recente de terremotos.

   — Nem sempre é possível estabelecer uma ligação entre as erupções vulcânicas e os terremotos, mas neste caso os sismos e a atividade do Etna parecem ter uma origem comum. A placa sob o vulcão está se movendo em direção ao leste e envolve zonas profundas, produzindo terremotos e a subida do magma. Porém, não sabemos qual dos dois eventos começou primeiro — explicou Giovanni Frazzetta, do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Itália.

(© O Globo On Line)

Para saber mais, visite o site ETNA ONLINE

Acompanhe imagens ao vivo do Etna

Vesúvio pode causar uma tragédia
 

Vista do Vesúvio tendo em primeiro plano as ruínas de Pompéia

   ROMA. A preocupação dos cientistas não é se o Vesúvio vai acordar, mas quando isso acontecerá. Ele é considerado um dos mais perigosos vulcões do mundo e tem todos os ingredientes para uma tragédia histórica.

   As erupções do Vesúvio são do tipo explosivo. Isso significa que liberam nuvens de gases ferventes que viajam a mais de 300 quilômetros por hora a uma temperatura de 600 graus Celsius. Foi uma nuvem dessas, chamada de fluxo piroclástico, que devastou Pompéia e Herculano no ano 79. Além disso, a área em torno do vulcão é densamente povoada: 1,6 milhão de pessoas vivem na zona de risco e o plano de escape para população não é considerado satisfatório.

   O vulcão dorme desde de 1944, quando causou mais prejuízos a tropas aliadas na Segunda Guerra do que um bombardeio alemão. O Vesúvio é constantemente monitorado por um observatório em sua base.

(© O Globo On Line)

Para saber mais, visite os sites VESÚVIO e VESÚVIO IN RETE

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