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Papa defende nova ONU

02/01/2004

O Papa João Paulo II, no Natal de 2003


CIDADE DO VATICANO - O Papa se mostrou favorável a um novo ordenamento internacional, que seja baseado na experiência acumulada pela ONU, apresente soluções adequadas para os problemas atuais e contemple fatores como a dignidade do ser humano e a solidariedade entre países ricos e pobres.

   João Paulo II iniciou ontem sua agenda 2004 ao comparecer à Basílica de São Pedro para celebrar uma missa pela Jornada Mundial da Paz, durante a qual lamentou a ''dramática'' situação no Oriente Médio, embora tenha expressado sua confiança em uma melhora.

   No templo, o Pontífice se limitou a ler a homilia e a presidir os ritos, que foram co-celebrados pelo cardeal secretário de Estado, Angelo Sodano, e vários representantes da Cúria vaticana. A 37ª Jornada Mundial da Paz é realizada este ano sob o lema ''Um compromisso sempre atual: educar para a paz'', no qual o papa se baseou para fazer sua reflexão de que a Igreja ''proclama constantemente'' o convite à paz.

   - Existe a urgência e a necessidade de consciências serem formadas na cultura da paz - declarou.

   Ele disse ainda que são mantidas ''situações de injustiça e violência que oprimem várias regiões do globo, bem como conflitos armados por vezes esquecidos pela opinião pública''.

   - É nesse contexto que é necessário construir conjuntamente caminhos para a paz - disse João Paulo II, que lembrou do núncio apostólico em Burundi, monsenhor Michael Courtney, baleado e morto há alguns dias.

   O Papa fez um convite para que todos voltem ''a Belém para adorar o menino no presépio'', momento no qual expressou sua amargura pela difícil situação no Oriente Médio.

   - Para isso, é necessário perseverar sem ceder à tentação da desconfiança e é preciso um esforço de todos para que sejam respeitados os direitos fundamentais das pessoas através de uma constante educação para a legalidade - disse.

   Segundo o Papa, o elemento que favorece essa intenção é a abertura à lógica do perdão e a superação da ''justiça simples''. E completou:

   - Não há paz sem perdão.

   O Pontífice ainda posicionou-se a favor de ''novo ordenamento internacional, que aproveite a experiência e os resultados obtidos nestes anos pela Organização das Nações Unidas.'' Para ele, esse ordenamento, além de estimular a solidariedade entre ricos e pobres e respeitar a dignidade humana, deve se basear em um desenvolvimento integral da sociedade, nos recursos compartilhados e nos resultados do progresso científico e tecnológico.

   A missa pela Jornada Mundial da Paz foi o primeiro ato do ano de João Paulo II, que encerrou 2003 na tarde de 31 de dezembro com uma missa Te Deum de agradecimento pelos bençãos recebidas de Deus no ano passado.

   O Papa recebeu 2004 com alguns colaboradores em seus dependências particulares, fazendo meditação e rezando.

(© JB Online)

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