ROMA - O seqüestro e
assassinato do ex-primeiro-ministro italiano Aldo Moro, em 1978, pelas
Brigadas Vermelhas, chocou a Europa. Essa semana, um dos últimos membros
do grupo foi pego no Cairo e encarcerado em Roma.
Sentenciada à prisão perpétua,
Rita Algranati foi capturada por um policial à paisana no aeroporto da
capital egípcia, na quarta-feira. Ela estava com outro veterano da
esquerda radical, Maurizio Falessi, que também foi preso e condenado a
11 anos de prisão por crimes violentos cometidos na Itália, entre 1972 e
1989.
Após fugir do país em 1981,
Rita morou na Nicarágua e depois se mudou com Falessi para a Argélia.
Fontes disseram que o trabalho de captura dos dois foi dos serviços
secretos da Argélia e da Itália. O irmão de Falessi afirmou que ele foi
''vendido'' para a Itália pelo país africano.
Aldo Moro foi atacado numa
emboscada a caminho do parlamento em março de 1978. Durante 54 dias, as
brigadas o fizeram prisioneiro, escondendo-o em subúrbios da capital
italiana. Em 9 de maio, ele foi morto a tiros e seu corpo deixado no
porta-malas de um carro. Hoje, o único membro das Brigadas Vermelhas
ainda livre é o ex-marido de Rita, Alessio Casimirri. Ele mora
livremente em Manágua, capital da Nicarágua, onde é dono de dois
restaurantes.
As recentes cartas-bombas
enviadas de Bolonha para instituições e membros da União Européia -
inclusive para o presidente da Comissão Européia, Romano Prodi -
acenderam no bloco o medo de a Itália estar incubando novos movimentos
de insurreição, consolidados pelo verdadeiro ódio ao ''regime''
Berlusconi.
Nenhuma das bombas, enviadas
pelo correio, causou ferimentos graves. Um grupo, até então
desconhecido, chamado Federação Informal dos Anarquistas, assumiu a
autoria.
Dois economistas que ajudavam
o governo italiano, mortos em 1999 e 2002, também levantaram estas
preocupações no país, até porque a estrela de cinco pontas, símbolo das
brigadas, foi pintada em paredes próximas aos locais em que os corpos
foram encontrados.
Desde então, muitas pessoas já
se declararam prisioneiros políticos ou membros das Brigadas Vermelhas.
Sergio Segio, fundador de um
importante grupo de extrema-esquerda na década de 70, o Primeira Linha,
falou ao jornal francês Libération: ''As Brigadas Vermelhas, como
costumam fazer os pequenos grupos, coexiste e se infiltrou nas raízes
dos movimentos antiglobalização''.
Outros rejeitam a idéia, como
Alberto Franceschini, um dos fundadores da Brigada Vermelha original e
que está há 18 anos na prisão.
- O movimento antiglobalização
é o único que existe hoje, mas ele é pacifista.
Rosanna Rossanda, co-fundadora
do jornal comunista Il Manifesto também acredita nisso: ''o
movimento antiglobalização é de grande interesse para um mundo oprimido
pelo consumismo, mas não é nem mesmo anticapitalista. É contra uma
distribuição de renda injusta, você tem muitos blocos, mas terrorismo é
outro assunto''.
(© JB Online)
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Presos
terroristas italianos procurados há 20 anos
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Roma -
A polícia egípcia
deteve dois italianos fugitivos das Brigadas Vermelhas - um
grupo radical de esquerda que ficou conhecido por seus
atentados durante as décadas de 1970 e 1980 -, sendo que um
deles está condenado por participação no assassinato do
então primeiro-ministro Aldo Moro, ocorrido em 1978.
Rita Algranati e Maurizio Falessi vinham sendo procurados há
cerca de 20 anos, informou o ministro do Interior Giuseppe
Pisanu. "Trouxemos à Justiça dois terroristas que
contribuíram para manchar com sangue a Itália", afirmou. Os
dois foram detidos no Aeroporto Internacional do Cairo. As
autoridades suspeitaram que os passaportes de ambos eram
falsos, disse a polícia egípcia.
Algranati, de 46 anos, é acusada de fazer parte do grupo
encarregado pelo seqüestro e pelo assassinato do ex-premier.
Em 1988 foi condenada, à revelia, à prisão perpétua por seu
papel na ação. Falessi, de 49 anos, foi sentenciado a 23
anos de prisão por associação subversiva, seqüestro, posse
de armas e outras acusações. ( AP)
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estadao.com.br) |