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Culpados do seqüestro de Moro presos

17/01/2004

Aldo Moro, quando estava em poder das Brigadas Vermelhas

ROMA - O seqüestro e assassinato do ex-primeiro-ministro italiano Aldo Moro, em 1978, pelas Brigadas Vermelhas, chocou a Europa. Essa semana, um dos últimos membros do grupo foi pego no Cairo e encarcerado em Roma.

   Sentenciada à prisão perpétua, Rita Algranati foi capturada por um policial à paisana no aeroporto da capital egípcia, na quarta-feira. Ela estava com outro veterano da esquerda radical, Maurizio Falessi, que também foi preso e condenado a 11 anos de prisão por crimes violentos cometidos na Itália, entre 1972 e 1989.

   Após fugir do país em 1981, Rita morou na Nicarágua e depois se mudou com Falessi para a Argélia. Fontes disseram que o trabalho de captura dos dois foi dos serviços secretos da Argélia e da Itália. O irmão de Falessi afirmou que ele foi ''vendido'' para a Itália pelo país africano.

   Aldo Moro foi atacado numa emboscada a caminho do parlamento em março de 1978. Durante 54 dias, as brigadas o fizeram prisioneiro, escondendo-o em subúrbios da capital italiana. Em 9 de maio, ele foi morto a tiros e seu corpo deixado no porta-malas de um carro. Hoje, o único membro das Brigadas Vermelhas ainda livre é o ex-marido de Rita, Alessio Casimirri. Ele mora livremente em Manágua, capital da Nicarágua, onde é dono de dois restaurantes.

   As recentes cartas-bombas enviadas de Bolonha para instituições e membros da União Européia - inclusive para o presidente da Comissão Européia, Romano Prodi - acenderam no bloco o medo de a Itália estar incubando novos movimentos de insurreição, consolidados pelo verdadeiro ódio ao ''regime'' Berlusconi.

   Nenhuma das bombas, enviadas pelo correio, causou ferimentos graves. Um grupo, até então desconhecido, chamado Federação Informal dos Anarquistas, assumiu a autoria.

   Dois economistas que ajudavam o governo italiano, mortos em 1999 e 2002, também levantaram estas preocupações no país, até porque a estrela de cinco pontas, símbolo das brigadas, foi pintada em paredes próximas aos locais em que os corpos foram encontrados.

   Desde então, muitas pessoas já se declararam prisioneiros políticos ou membros das Brigadas Vermelhas.

   Sergio Segio, fundador de um importante grupo de extrema-esquerda na década de 70, o Primeira Linha, falou ao jornal francês Libération: ''As Brigadas Vermelhas, como costumam fazer os pequenos grupos, coexiste e se infiltrou nas raízes dos movimentos antiglobalização''.

   Outros rejeitam a idéia, como Alberto Franceschini, um dos fundadores da Brigada Vermelha original e que está há 18 anos na prisão.

   - O movimento antiglobalização é o único que existe hoje, mas ele é pacifista.

   Rosanna Rossanda, co-fundadora do jornal comunista Il Manifesto também acredita nisso: ''o movimento antiglobalização é de grande interesse para um mundo oprimido pelo consumismo, mas não é nem mesmo anticapitalista. É contra uma distribuição de renda injusta, você tem muitos blocos, mas terrorismo é outro assunto''.

(© JB Online)

Presos terroristas italianos procurados há 20 anos  
 

   Roma - A polícia egípcia deteve dois italianos fugitivos das Brigadas Vermelhas - um grupo radical de esquerda que ficou conhecido por seus atentados durante as décadas de 1970 e 1980 -, sendo que um deles está condenado por participação no assassinato do então primeiro-ministro Aldo Moro, ocorrido em 1978.

   Rita Algranati e Maurizio Falessi vinham sendo procurados há cerca de 20 anos, informou o ministro do Interior Giuseppe Pisanu. "Trouxemos à Justiça dois terroristas que contribuíram para manchar com sangue a Itália", afirmou. Os dois foram detidos no Aeroporto Internacional do Cairo. As autoridades suspeitaram que os passaportes de ambos eram falsos, disse a polícia egípcia.

   Algranati, de 46 anos, é acusada de fazer parte do grupo encarregado pelo seqüestro e pelo assassinato do ex-premier. Em 1988 foi condenada, à revelia, à prisão perpétua por seu papel na ação. Falessi, de 49 anos, foi sentenciado a 23 anos de prisão por associação subversiva, seqüestro, posse de armas e outras acusações. (AP)

(© estadao.com.br)

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