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Italianos estão intrigados com silêncio de Berlusconi

22/01/2004

 

Frank Bruni
EM ROMA

   Ele é um ex-apresentador de espetáculos que a todo momento dá a impressão de saborear a atenção que recebe e de se orgulhar da sua habilidade para se relacionar com os eleitores italianos.

   Mas faz cerca de um mês que o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, não faz as suas costumeiras aparições em público, tendo entrado em um período de invisibilidade incomum, e, aparentemente, de menos atividade, o que gerou uma onda de boatos e perguntas.

   A situação nada usual foi exacerbada na quarta-feira (21/01), quando Berlusconi deixou de se encontrar com o presidente de Malta, Guido de Marco, que visitava Roma. Berlusconi enviou como seu representante para o encontro o vice-primeiro-ministro, Gianfranco Fini.

   Um funcionário da Embaixada de Malta disse que a agenda original previa o comparecimento de Berlusconi.

   Um assessor de Berlusconi informou que o primeiro-ministro falou bastante com o presidente maltês por telefone, na quarta-feira, e que a decisão de enviar Fini para o encontro com o presidente Marco não foi tomada na última hora.

   Enquanto Fini participava da reunião, aumentaram na Itália as especulações de que Berlusconi estaria se escondendo deliberadamente do olhar público enquanto se recupera de uma cirurgia plástica.

   Na quarta-feira, o popular periódico "L'Espresso", uma publicação de esquerda que critica freqüentemente o primeiro-ministro e a sua coalizão governista de centro-direita, distribuiu com antecedência cópias de um artigo sobre o fato.

   A matéria, que será publicada na sexta-feira, afirma que o primeiro-ministro esteve em uma clínica na Suíça no final do mês passado e que uma equipe de cirurgiões, incluindo vários da Califórnia, operaram-lhe a face e o pescoço.

   Os assessores de Berlusconi não quiseram fazer comentários a respeito do artigo, que segue a linha de outros similares publicados em vários jornais e revistas na semana passada.

   A última ocasião em que vários jornalistas puderam dar uma boa olhada em Berlusconi foi durante uma entrevista coletiva à imprensa em Roma, em 20 de dezembro último. Ele deixou a capital italiana em 23 de dezembro, um pouco antes do Natal, e, desde então, passou a maior parte do tempo no seu palacete na ilha de Sardenha, retornando apenas ocasionalmente a Roma.

   Durante essas visitas, ele só foi visto de perto por algumas autoridades governamentais que lhe são mais próximas, e não foram divulgada fotos ou imagens televisivas do primeiro-ministro.

   O que se seguiu foi uma onda de fofocas, tanto nas conversas informais quanto nas reportagens da mídia, sobre o porque do desaparecimento. Embora a maior parte dos boatos tenha gire em torno da hipótese de cirurgia plástica, houve também alguma especulação quanto à possibilidade de Berlusconi estar seriamente enfermo. No final dos anos 90 ele lutou contra um câncer da próstata.

   Mas os seus assessores e aliados afirmaram repetidamente no decorrer da semana passada que Berlusconi não está enfrentando nenhum problema grave de saúde. Eles disseram também que o primeiro-ministro tem passado grande parte do seu tempo na Sardenha, trabalhando com as questões do governo.

   "Até onde sei, ele não está doente", afirmou na quarta-feira Giuliano Ferrara, amigo de Berlusconi.

   Ferrara admitiu que a discrição extremada de Berlusconi nas últimas semanas é algo "um pouco incomum" em se tratando de um líder nacional.

   "Mas ele não está escondido em nenhum bunker", disse Ferrara, que edita o jornal diário "Il Foglio", cuja co-proprietária é a mulher de Berlusconi, Veronica Lario.

   "Ele veio a Roma", acrescentou Ferrara, referindo-se ao mês passado. "Mas Berlusconi evitou aparecer em público devido - acho que essa é a única explicação - a uma questão privada relativa à sua vaidade".

   Berlusconi deverá aparecer no próximo sábado em um grande evento público: a comemoração, em Roma, do décimo aniversário do seu partido político, a Forza Italia. (Tradução: Danilo Fonseca)

(© The New York Times/UOL Mídia Global)


Berlusconi faz dieta tibetana e perde dez quilos antes de tentar reeleição

   Após quase um mês de férias em sua vila na Sardenha, o premiê italiano, Silvio Berlusconi, 67, voltará ao trabalho rejuvenescido. Segundo o jornal britânico "The Independent", além de uma comentada plástica facial que lhe tirou as bolsas sob os olhos e lhe atenuou as rugas, o premiê fez uma "dieta tibetana" que lhe tirou 10 kg da silhueta. O resultado poderá ser visto neste fim de semana, na celebração do décimo aniversário de seu partido, o Forza Itália.

   Analistas ligam os esforços de Berlusconi por uma imagem mais jovem à intenção de antecipar as eleições gerais e conquistar sua permanência no poder.

   A dieta rigidamente seguida pelo premiê, segundo o jornal, respeita preceitos da medicina oriental -embora seu cardápio não venha necessariamente da Ásia. Um desses preceitos determina a ingestão de um copo de água fervida ainda em jejum e de mais três litros de água durante o dia. Verduras, banana, romã e nozes também estão no cardápio, além de carne crua. Já álcool, leite, queijos amarelos e alho são proibidos.

   Segundo o professor Andrea Mangano, o especialista em nutrição que orienta Berlusconi, as pessoas poderosas vivem sob "estresse metabólico", passando tempo demais sem comer e ingerindo depois alimentos excessivamente calóricos, o que provoca um "desequilíbrio na assimilação dos alimentos que a dieta tibetana corrige". "Depois da dieta tibetana, acho que ele [Berlusconi] está ótimo", disse o nutricionista.

(© Folha de S. Paulo)

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