Frank Bruni
EM ROMA
Ele é um
ex-apresentador de espetáculos que a todo momento dá a impressão de
saborear a atenção que recebe e de se orgulhar da sua habilidade para se
relacionar com os eleitores italianos.
Mas faz cerca de um mês que o
primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, não faz as suas costumeiras
aparições em público, tendo entrado em um período de invisibilidade
incomum, e, aparentemente, de menos atividade, o que gerou uma onda de
boatos e perguntas.
A situação nada usual foi
exacerbada na quarta-feira (21/01), quando Berlusconi deixou de se
encontrar com o presidente de Malta, Guido de Marco, que visitava Roma.
Berlusconi enviou como seu representante para o encontro o
vice-primeiro-ministro, Gianfranco Fini.
Um funcionário da Embaixada de
Malta disse que a agenda original previa o comparecimento de Berlusconi.
Um assessor de Berlusconi informou
que o primeiro-ministro falou bastante com o presidente maltês por
telefone, na quarta-feira, e que a decisão de enviar Fini para o encontro
com o presidente Marco não foi tomada na última hora.
Enquanto Fini participava da
reunião, aumentaram na Itália as especulações de que Berlusconi estaria se
escondendo deliberadamente do olhar público enquanto se recupera de uma
cirurgia plástica.
Na quarta-feira, o popular
periódico "L'Espresso", uma publicação de esquerda que critica
freqüentemente o primeiro-ministro e a sua coalizão governista de
centro-direita, distribuiu com antecedência cópias de um artigo sobre o
fato.
A matéria, que será publicada na
sexta-feira, afirma que o primeiro-ministro esteve em uma clínica na Suíça
no final do mês passado e que uma equipe de cirurgiões, incluindo vários
da Califórnia, operaram-lhe a face e o pescoço.
Os assessores de Berlusconi não
quiseram fazer comentários a respeito do artigo, que segue a linha de
outros similares publicados em vários jornais e revistas na semana
passada.
A última ocasião em que vários
jornalistas puderam dar uma boa olhada em Berlusconi foi durante uma
entrevista coletiva à imprensa em Roma, em 20 de dezembro último. Ele
deixou a capital italiana em 23 de dezembro, um pouco antes do Natal, e,
desde então, passou a maior parte do tempo no seu palacete na ilha de
Sardenha, retornando apenas ocasionalmente a Roma.
Durante essas visitas, ele só foi
visto de perto por algumas autoridades governamentais que lhe são mais
próximas, e não foram divulgada fotos ou imagens televisivas do
primeiro-ministro.
O que se seguiu foi uma onda de
fofocas, tanto nas conversas informais quanto nas reportagens da mídia,
sobre o porque do desaparecimento. Embora a maior parte dos boatos tenha
gire em torno da hipótese de cirurgia plástica, houve também alguma
especulação quanto à possibilidade de Berlusconi estar seriamente enfermo.
No final dos anos 90 ele lutou contra um câncer da próstata.
Mas os seus assessores e aliados
afirmaram repetidamente no decorrer da semana passada que Berlusconi não
está enfrentando nenhum problema grave de saúde. Eles disseram também que
o primeiro-ministro tem passado grande parte do seu tempo na Sardenha,
trabalhando com as questões do governo.
"Até onde sei, ele não está
doente", afirmou na quarta-feira Giuliano Ferrara, amigo de Berlusconi.
Ferrara admitiu que a discrição
extremada de Berlusconi nas últimas semanas é algo "um pouco incomum" em
se tratando de um líder nacional.
"Mas ele não está escondido em
nenhum bunker", disse Ferrara, que edita o jornal diário "Il Foglio", cuja
co-proprietária é a mulher de Berlusconi, Veronica Lario.
"Ele veio a Roma", acrescentou
Ferrara, referindo-se ao mês passado. "Mas Berlusconi evitou aparecer em
público devido - acho que essa é a única explicação - a uma questão
privada relativa à sua vaidade".
Berlusconi deverá aparecer no
próximo sábado em um grande evento público: a comemoração, em Roma, do
décimo aniversário do seu partido político, a Forza Italia.
(Tradução: Danilo Fonseca)
(© The New York
Times/UOL Mídia Global)
Berlusconi faz dieta tibetana e perde dez quilos antes de
tentar reeleição
Após quase um mês de férias em sua
vila na Sardenha, o premiê italiano, Silvio Berlusconi, 67, voltará ao
trabalho rejuvenescido. Segundo o jornal britânico "The Independent", além
de uma comentada plástica facial que lhe tirou as bolsas sob os olhos e
lhe atenuou as rugas, o premiê fez uma "dieta tibetana" que lhe tirou 10
kg da silhueta. O resultado poderá ser visto neste fim de semana, na
celebração do décimo aniversário de seu partido, o Forza Itália.
Analistas ligam os esforços de
Berlusconi por uma imagem mais jovem à intenção de antecipar as eleições
gerais e conquistar sua permanência no poder.
A dieta rigidamente seguida pelo
premiê, segundo o jornal, respeita preceitos da medicina oriental -embora
seu cardápio não venha necessariamente da Ásia. Um desses preceitos
determina a ingestão de um copo de água fervida ainda em jejum e de mais
três litros de água durante o dia. Verduras, banana, romã e nozes também
estão no cardápio, além de carne crua. Já álcool, leite, queijos amarelos
e alho são proibidos.
Segundo o professor Andrea Mangano,
o especialista em nutrição que orienta Berlusconi, as pessoas poderosas
vivem sob "estresse metabólico", passando tempo demais sem comer e
ingerindo depois alimentos excessivamente calóricos, o que provoca um
"desequilíbrio na assimilação dos alimentos que a dieta tibetana corrige".
"Depois da dieta tibetana, acho que ele [Berlusconi] está ótimo", disse o
nutricionista.
(©
Folha de S. Paulo)