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O corpo descoberto a 22 janeiro em Bormes-les-Mimosas (Var), sul da Côte dAzur,
é o da condessa Francesca Vacca Agusta, cujo desaparecimento desde 8 de janeiro emociona
a Itália, informaram nesta quarta-feira fontes próximas à investigação. A hipótese
de crime é a mais privilegiada, segundo as mesmas fontes.
Francesca Vacca Agusta, 58 anos, ex-modelo e viúva do
ex-dirigente do império aeronáutico Agusta e amiga pessoal do ex-presidente do conselho
Bettino Craxi, desapareceu a 8 de janeiro de sua suntuosa mansão de Portofino (norte da
Itália), a algumas centenas de quilômetros do local onde seu corpo foi encontrado duas
semanas depois.
Graças a gráficos e desenhos, os últimos momentos da
viúva do conde Agusta foram descritos publicamente como numa novela policial e todo mundo
se pergunta se foi suicídio, homicídio ou acidente.
Francesca, cujo casamento nos anos 70 com um dos homens
mais ricos do país já tinha despertado curiosidade, foi também acusada no início dos
anos 90 pela justiça italiana de ter ajudado o ex-líder socialista Betttino Craxi a
esconder em contas no exterior seu famoso tesouro, o que sempre
desmentiu.
A condessa, que por isso decidiu se autoexilar no
México, de outubro de 1994 a março de 1997, foi envolvida no escândalo por seu
companheiro da época, o socialista Maurizio Raggio, do qual tinha se separado, mas que
reapareceu poucas horas depois do misterioso desaparecimento, a 8 de janeiro, quando
Francesca Vacca Agusta deixou sua luxuosa residência de Portofino, ao norte da Itália,
de cujo jardim se presume que caiu ou foi lançada ao mar.
Os pulmões sem água, as múltiplas fraturas no
crânio, a data da morte estabelecida na França, uma semana depois de seu
desaparecimento, o atraso de oito dias com que as autoridades francesas informaram as
italianas sobre a descoberta do corpo, o resgate de uma bata vermelha com manchas de
sangue no fundo do mar em frente à sua mansão três dias depois de seu desaparecimento e
os vários testamentos feitos com herdeiros diferentes são alguns dos pontos mais
intrigantes.
Os três personagens que a viram pela última vez: o
novo amor, o mexicano Rafael Tirso Roncado González, 50 anos, herdeiro universal de todo
o patrimônio segundo um dos testamentos, sua melhor amiga, a loura Susanna, e a empregada
doméstica coincidiram ao dizer que a condessa estava alterada e
um pouco bêbada nessa noite, quando decidiu ir ao jardim para
tomar ar, apesar do frio, do vento e da escuridão.
A descoberta do corpo permite declarar sua morte
oficial e portanto abrir seu testamento para descobrir quem serão os beneficiários de
sua herança, que segundo a imprensa , será disputada entre Raggio, o noivo
mexicano e o irmão da condessa, Domenico Vacca Graffagni. (DGABC) |