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Descoberto corpo de condessa que desapareceu na Itália

01/02/2001

 

 

   O corpo descoberto a 22 janeiro em Bormes-les-Mimosas (Var), sul da Côte d’Azur, é o da condessa Francesca Vacca Agusta, cujo desaparecimento desde 8 de janeiro emociona a Itália, informaram nesta quarta-feira fontes próximas à investigação. A hipótese de crime é a mais privilegiada, segundo as mesmas fontes.

   Francesca Vacca Agusta, 58 anos, ex-modelo e viúva do ex-dirigente do império aeronáutico Agusta e amiga pessoal do ex-presidente do conselho Bettino Craxi, desapareceu a 8 de janeiro de sua suntuosa mansão de Portofino (norte da Itália), a algumas centenas de quilômetros do local onde seu corpo foi encontrado duas semanas depois.

   Graças a gráficos e desenhos, os últimos momentos da viúva do conde Agusta foram descritos publicamente como numa novela policial e todo mundo se pergunta se foi suicídio, homicídio ou acidente.

   Francesca, cujo casamento nos anos 70 com um dos homens mais ricos do país já tinha despertado curiosidade, foi também acusada no início dos anos 90 pela justiça italiana de ter ajudado o ex-líder socialista Betttino Craxi a esconder em contas no exterior seu famoso ‘‘tesouro’’, o que sempre desmentiu.

   A condessa, que por isso decidiu se autoexilar no México, de outubro de 1994 a março de 1997, foi envolvida no escândalo por seu companheiro da época, o socialista Maurizio Raggio, do qual tinha se separado, mas que reapareceu poucas horas depois do misterioso desaparecimento, a 8 de janeiro, quando Francesca Vacca Agusta deixou sua luxuosa residência de Portofino, ao norte da Itália, de cujo jardim se presume que caiu ou foi lançada ao mar.

   Os pulmões sem água, as múltiplas fraturas no crânio, a data da morte estabelecida na França, uma semana depois de seu desaparecimento, o atraso de oito dias com que as autoridades francesas informaram as italianas sobre a descoberta do corpo, o resgate de uma bata vermelha com manchas de sangue no fundo do mar em frente à sua mansão três dias depois de seu desaparecimento e os vários testamentos feitos com herdeiros diferentes são alguns dos pontos mais intrigantes.

   Os três personagens que a viram pela última vez: o novo amor, o mexicano Rafael Tirso Roncado González, 50 anos, herdeiro universal de todo o patrimônio segundo um dos testamentos, sua melhor amiga, a loura Susanna, e a empregada doméstica coincidiram ao dizer que a condessa ‘‘estava alterada’’ e ‘‘um pouco bêbada’’ nessa noite, quando decidiu ir ao jardim para ‘‘tomar ar’’, apesar do frio, do vento e da escuridão.

   A descoberta do corpo permite declarar sua morte oficial e portanto abrir seu testamento para descobrir quem serão os beneficiários de sua herança, que —segundo a imprensa —, será disputada entre Raggio, o noivo mexicano e o irmão da condessa, Domenico Vacca Graffagni. (DGABC)

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