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O príncipe
Vittòrio Emanuèle de Savóia, de 64 anos, pretendente ao trono italiano e exiliado há
55 anos na Suíça, afirmou hoje à imprensa que o governo da Itália irá permitir seu
regresso ao país nos próximos três meses.
Durante a entrevista, o príncipe garantiu ter recebido dois telegramas
"muito amáveis" do presidente italiano, Carlo Azeglio Ciampi, e do
primeiro-ministro, Giuliano Amato, onde informavam que "dentro de três meses a lei
do exílio será revogada".
Segundo Vittòrio Emanuèle, a obrigação de jurar fidelidade à República
italiana já não lhe é exigida, porque Amato lhe garantiu que ele será aceito
plenamente como cidadão italiano.
A proibição aos descendentes masculinos do último rei da Itália de
residirem na península foi adotada em 1946, por meio de uma "norma
transitória" da Constituição, que estipula que "os ex-reis de Savóia, suas
esposas e descendentes masculinos não podem entrar, nem residir, em território
nacional".
A proibição imposta à família real foi justificada pelo passado de
Vittòrio Emanuèle 3°, rei da Itália de 1900 a 1946, que colaborou com o regime
fascista de Mussolini, e foi quem assinou e ratificou as leis raciais de 1938 que
discriminavam os judeus.
O pretendente direto ao trono, Vittòrio Emanuèle 3°, 64 anos, filho de
Umberto 2° e de Marie-José de Savóia, tinha 9 anos em 6 de junho de 1946, quando
abandonou definitivamente a Itália com seus pais, obrigados a abdicar depois de 27 dias
de reinado.
O herdeiro suposto da coroa, Emanuèle Filiberto, 29 anos, filho de Vittòrio
Emanuèle de Savóia, nasceu na Suíça e nunca pisou em terra italiana.
A morte de Marie-José de Savóia, ocorrida no último sábado em Genebra
(Suíça), reabriu o debate entre partidários e adversários do regresso à Itália dos
pretendentes ao trono. (Folha Online)
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