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LONDRES. Um
conhecido especialista italiano em reprodução assistida e seu colega americano
anunciaram planos de clonar seres humanos e obter o primeiro bebê dentro de no máximo
dois anos. A declaração aconteceu poucos dias depois de a Grã-Bretanha ter autorizado a
clonagem de embriões humanos para fins terapêuticos. Porém, Severino Antinori,
mundialmente famoso por ajudar mulheres com mais de 50 anos a ter filhos, diz que seu
objetivo é produzir bebês para casais estéreis. Ele afirma ter dez casais prontos para
se submeter a experiências.
Até agora, o feito mais famoso do polêmico Antinori, que tem uma
clínica em Roma, foi ajudar uma mulher de 63 anos a dar à luz um menino, há seis anos.
Antinori disse que está formando o que chamou de uma coalizão internacional de
cientistas para trabalhar no projeto. Para evitar problemas legais, as experiências devem
ser realizadas num país do Mediterrâneo, cujo nome não foi revelado.
O principal colaborador de Antinori será o americano Panos Zavos. Segundo
o italiano, seis dos casais que querem ter um filho clonado são italianos, um é
americano, um japonês e um australiano. Todos, segundo Antinori e Zavos, têm graves
problemas de infertilidade que os impedem de ser beneficiados por outros métodos.
- A clonagem tem sido usada para desenvolver animais. O gênio saiu da
garrafa. É uma questão de tempo que seja usada em seres humanos. Acreditamos que é
melhor que seja realizada por pesquisadores como nós, que certamente seguiremos os mais
estritos princípios éticos - disse Zavos, que é professor da Universidade de Kentucky.
Em 1997, pouco depois de o mundo conhecer a ovelha Dolly, o primeiro clone
de mamífero adulto do mundo, o especialista em reprodução humana americano Richard Seed
disse ter intenção de clonar bebês. Seed, todavia, já estava com a carreira em franca
decadência e seu projeto não foi adiante. A situação de Antinori é diferente. Ele é
o bem-sucedido dono de uma das clínicas de reprodução assistida mais procuradas do
mundo.
Antinori se disse favorável à clonagem de bebês pela primeira vez em
1998, e desde então vem trabalhando no projeto. Ele contou ter na equipe pesquisadores
americanos, japoneses e australianos. Seu propósito é clonar inicialmente meninos. Eles
seria clones de seus pais, desenvolvidos a partir do DNA tirado de uma célula somática
(todas à exceção das germinais), provavelmente da pele.
O DNA seria implantado num óvulo, cujo próprio material genético foi
extirpado. Zavos disse que a idéia é trabalhar com óvulos doados. Os embriões clonados
obtidos serão implantados no útero da mulher do homem clonado.
Poucos países - o Brasil está entre eles - proíbem a clonagem humana.
Na Itália, por exemplo, não há lei que proíba a clonagem de seres humanos.
Muitos especialistas reagiram ao anúncio dos planos de Antinori. Eles
advertiram que, além das grandes implicações éticas, a clonagem é uma tecnologia
muito nova e sem segurança. Pesquisadores dizem que é grande a possibilidade de o clone
humano nascer doente ou morrer logo após o nascimento. Eles temem que a publicidade sobre
a intenção de Antinori acabe por prejudicar os estudos com a clonagem terapêutica, cujo
objetivo é a obtenção de células, e não de bebês, para aplicação em medicina. (O
Globo) |