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Primeiro bebê clonado poderia nascer em 2003

10/02/2001

 

 

   LONDRES. Um conhecido especialista italiano em reprodução assistida e seu colega americano anunciaram planos de clonar seres humanos e obter o primeiro bebê dentro de no máximo dois anos. A declaração aconteceu poucos dias depois de a Grã-Bretanha ter autorizado a clonagem de embriões humanos para fins terapêuticos. Porém, Severino Antinori, mundialmente famoso por ajudar mulheres com mais de 50 anos a ter filhos, diz que seu objetivo é produzir bebês para casais estéreis. Ele afirma ter dez casais prontos para se submeter a experiências.

   Até agora, o feito mais famoso do polêmico Antinori, que tem uma clínica em Roma, foi ajudar uma mulher de 63 anos a dar à luz um menino, há seis anos. Antinori disse que está formando o que chamou de uma coalizão internacional de cientistas para trabalhar no projeto. Para evitar problemas legais, as experiências devem ser realizadas num país do Mediterrâneo, cujo nome não foi revelado.

   O principal colaborador de Antinori será o americano Panos Zavos. Segundo o italiano, seis dos casais que querem ter um filho clonado são italianos, um é americano, um japonês e um australiano. Todos, segundo Antinori e Zavos, têm graves problemas de infertilidade que os impedem de ser beneficiados por outros métodos.

   - A clonagem tem sido usada para desenvolver animais. O gênio saiu da garrafa. É uma questão de tempo que seja usada em seres humanos. Acreditamos que é melhor que seja realizada por pesquisadores como nós, que certamente seguiremos os mais estritos princípios éticos - disse Zavos, que é professor da Universidade de Kentucky.

   Em 1997, pouco depois de o mundo conhecer a ovelha Dolly, o primeiro clone de mamífero adulto do mundo, o especialista em reprodução humana americano Richard Seed disse ter intenção de clonar bebês. Seed, todavia, já estava com a carreira em franca decadência e seu projeto não foi adiante. A situação de Antinori é diferente. Ele é o bem-sucedido dono de uma das clínicas de reprodução assistida mais procuradas do mundo.

   Antinori se disse favorável à clonagem de bebês pela primeira vez em 1998, e desde então vem trabalhando no projeto. Ele contou ter na equipe pesquisadores americanos, japoneses e australianos. Seu propósito é clonar inicialmente meninos. Eles seria clones de seus pais, desenvolvidos a partir do DNA tirado de uma célula somática (todas à exceção das germinais), provavelmente da pele.

   O DNA seria implantado num óvulo, cujo próprio material genético foi extirpado. Zavos disse que a idéia é trabalhar com óvulos doados. Os embriões clonados obtidos serão implantados no útero da mulher do homem clonado.

   Poucos países - o Brasil está entre eles - proíbem a clonagem humana. Na Itália, por exemplo, não há lei que proíba a clonagem de seres humanos.

   Muitos especialistas reagiram ao anúncio dos planos de Antinori. Eles advertiram que, além das grandes implicações éticas, a clonagem é uma tecnologia muito nova e sem segurança. Pesquisadores dizem que é grande a possibilidade de o clone humano nascer doente ou morrer logo após o nascimento. Eles temem que a publicidade sobre a intenção de Antinori acabe por prejudicar os estudos com a clonagem terapêutica, cujo objetivo é a obtenção de células, e não de bebês, para aplicação em medicina. (O Globo)

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