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RIO - O restaurador
italiano Gianluigi Colalucci, diretor da equipe de restauração da Capela Sistina, no
Vaticano, esteve no Brasil para participar do seminário Teoria e Prática do Restauro,
promovido pelo Instituto Domingo Telecchea de Conservação e Restauro de São Paulo,
entre os dias 5 e 8.
Acompanhado
pelo amigo Telecchea em sua primeira visita ao País, na sexta-feira ele esteve no Rio e
em Niterói, onde visitou monumentos em fase de restauração. No sábado, foi a Salvador
conhecer o Centro Histórico, cujos casarões e igrejas vêm sendo restaurados há quase
dez anos.
Colalucci é coordenador-geral de restauração dos museus do Vaticano e
consultor do Museu do Prado, na Espanha. Em Niterói, cidade vizinha do Rio, ele concedeu
entrevista ao Estado antes de fazer uma palestra para arquitetos e decoradores sobre seu
trabalho na Capela Sistina, construída entre 1475 e 1483 e em cujas paredes há pinturas
feitas por vários artistas italianos, entre eles Michelangelo, Boticelli, Perugino,
Ghirlandaio e Signorelli. Em Niterói, ele visitou o Museu de Arte Contemporânea (MAC) e
a Igreja de São Lourenço dos Índios, que vem sendo restaurada por uma equipe liderada
por Telecchea e deve ser reinaugurada ainda neste semestre.
A restauração da Capela Sistina começou em 1980 e terminou em 1994.
Durante 14 anos, uma equipe formada por professores de restauração e de história da
arte, restauradores profissionais e químicos trabalhou sobre os famosos afrescos da
capela, com o apoio de pesquisadores de universidades italianas.
De acordo com Colalucci, todos estavam cientes da "imensa
responsabilidade de refazer desenhos e reavivar cores de obras criadas pelos gênios da
pintura". Para ele, o profissional de restauro tem que saber controlar a emoção e
concentrar-se de forma fria sobre o campo de ação. "O momento técnico é
impessoal, mas trata-se de verdadeiros tesouros artísticos e isso é enriquecedor para
qualquer ser humano", avalia.
Há muitos afrescos na Itália, poucos na Europa e quase nenhum no
restante do mundo, segundo Colalucci. Perguntado se o restaurador corre o risco de
modificar a obra de arte, disse que não, "porque todos são muito
conservadores". Além disso, completou, a conjugação de estudos minuciosos,
técnicas apuradas, equipamentos e aparelhos modernos permite que formas e cores sejam
identificadas com absoluta fidelidade. O primeiro computador gráfico utilizado em
restauro entrou em ação na Capela Sistina. "Lá, só utilizamos técnicas muito
sofisticadas de conservação para não corrermos os riscos do experimentalismo."
(Elaine Lima, O Estado de S. Paulo) |