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da France Presse, em Roma
O cineasta italiano Bernardo Bertolucci volta a realizar um filme
político 25 anos depois do mítico "Novecentos", no qual vai contar os
antecedentes das revoltas estudantis de Paris em maio de 1968, anunciaram fontes
cinematográficas.
O filme, que começará a ser rodado no final de maio em Paris, onde o
diretor já começou a escolher o elenco, ainda não tem um título definido e é baseado
em um livro do escritor Gilbert Adair.
Segundo o jornal italiano "La Repubblica", Bertolucci vai narrar
uma história íntima ambientada em um contexto muito especial, o clima imediatamente
anterior ao chamado Maio de 68, que marcou gerações de jovens em todo o mundo, com o
início de uma época de liberação em todos os setores.
"Será uma história de jovens, que não começará mas que terminará
nas praças e ruas tomadas pelos estudantes, uma história de pouco antes da
revolução", escreve o jornal, que lembra que o segundo filme de Bertolucci se
intitulava "Antes da revolução" (1964).
Mestre do "desejo", desde o arrebatado "O Último Tango em
Paris" (1972), que então suscitou escândalo, Bertolucci, 60 anos, regressa ao
cinema político, que de certo modo abandonou por histórias mais íntimas e privadas.
Seu último trabalho, "Assédio", realizado para a televisão,
descreve a gradual atração entre duas pessoas que provêm de dois mundos culturais
completamente diferentes, quase em confronto, como o de um inglês e uma africana, que
convivem em Roma em uma luxuosa residência em decadência.
Para o autor de "O conformista" (1970), baseado em um livro do
escritor italiano Alberto Moravia, sobre a relação entre o fascismo e a burguesia, e de
"Novecentos" (1976), um afresco interminável sobre a história da primeira
metade do século 20 na Itália, trata-se de regressar a um momento histórico chave desse
mesmo século. (© Folha Online) |