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Campanha da Miramax pode garantir dois Oscars a produção italiana

19/03/2001

 

 

   NOVA YORK - Malena, filme do cineasta italiano Giuseppe Tornatore que estréia hoje na cidade, é a segunda produção do ano a fazer parte da criticada tática do estúdio Miramax de chegar a extremos na hora de promover seus longas para o Oscar. Como se tornou notório, uma milionária campanha orquestrada pelo estúdio com sede no bairro nova-iorquino de TriBeca pode ter garantido uma indicação para o Oscar de melhor filme a Chocolate, filme dirigido pelo sueco Lasse Hallström e estrelado por Juliette Binoche, que acabou batendo o favorito - e tocante - Billy Elliot, que também chega hoje aos cinemas de São Paulo.

   Para promover Malena, seu produtor, Harvey Weinstein, um dos co-sócios da Miramax, reuniu numa mesma sessão do filme, no mês de novembro, vários membros da academia de Hollywood residentes em Nova York, jornalistas americanos e estrangeiros. Sem pestanejar, Weinstein apresentou ao público daquele cinema Tornatore; a belíssima estrela do filme, a italiana Monica Bellucci; e fez uma observação em tom de desagravo: chegara a vez de Ennio Morricone, que nunca ganhou um Oscar, colocar finalmente a mão em sua estatueta. Em fevereiro, quando foram anunciados todos os candidatos ao prêmio máximo do cinema americano, Malena acabou conquistando duas indicações: nas categorias de melhor trilha sonora e fotografia (o húngaro Lajos Koltai).

   Críticas à parte, não fosse pela suplicante introdução de Weinstein, Morricone, uma das grandes lendas vivas do cinema, jamais teria sido indicado para o Oscar de trilha sonora, categoria que tende a privilegiar compositores anglo-saxões. Aos 72 anos e com mais de 400 filmes em seu currículo e que se consagrou ao trabalhar com Sergio Leone em 1964, Morricone foi indicado em quatro outras ocasiões: por Bugsy, de Warren Beatty (1992); Os Intocáveis, de Brian De Palma (88); A Missão (87), de Roland Joffé; e Cinzas no Paraíso, de Terrence Malick (79).

   Um de seus trabalhos contemporâneos mais memoráveis, a trilha do filme Cinema Paradiso, sua primeira colaboração com Tornatore, nem foi lembrada pela academia. "Com Morricone não é preciso dizer muita coisa", explica Tornatore em entrevista ao Estado. "É só descrever um pouco a trama e esperar a chegada de um magnífico score." Morricone disputa o Oscar com a inglesa Rachael Portman (Chocolate); o alemão radicado em Hollywood Hans Zimmer (Gladiador); o americano John Williams (O Patriota) e o chinês Tan Dun (O Tigre e o Dragão).

   Da trilha sonora de Malena, uma das únicas idéias de Tornatore foi a inclusão da canção Ma l'Amore no, que abre o filme. "Essa é uma canção muito famosa de 1942, que ficou imensamente ligada às imagens de um filme de Alida Valli", explica Tornatore. "Desde então, essa canção continuou a passar de geração em geração, como símbolo da infabilidade do amor. Além de a canção ter inspirado a história de Luciano Vincenzoni, da qual meu filme foi tirado, ela tem a função de mostrar a concretização do amor do menino pela personagem de Monica."

   Apesar das duas indicações para o Oscar, Malena não foi o filme a representar oficialmente a Itália na categoria de melhor produção estrangeira. O drama I Cento Passi, de Marco Tullio Giordana, é que acabou sendo oficializado por um conselho cinematográfico italiano para a função.

   No fim, acabou não fazendo parte dos cinco finalistas. "Eu acho que Malena teria tido uma grande chance nessa categoria", explica Tornatore. "Mas o pessoal da seleção italiana talvez tenha pensado que eu já tive sucesso suficiente e quis dar chance a outra pessoa. Aceitei bem a decisão." (MARCELO BERNARDES, O Estado de S. Paulo)

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