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ROMA - Apresentando um doente
terminal - o pesquisador da Universidade de Viterbo, Luca Coscioni, 33 anos de idade,
vítima de uma forma incurável de esclerose amiotrófica lateral - como seu principal
candidato às eleições políticas de 13 de maio, que renovarão o Parlamento e o governo
da Itália, o pequeno Partido Radical italiano se confirma como uma força política que
dá mais importância à criatividade do que às votações consagradoras. Opção que há
45 anos, desde que se reuniram depois de romperem com o velho partido liberal, os maiores
líderes radicais a cada eleição nacional ou européia vêm renovando sempre com
esperança de ver um dia a Itália funcionando como um estado laico e libertário, livre
da influência do Vaticano e do conformismo a qualquer regime totalitário de direita ou
esquerda.
Lançando a candidatura do pesquisador Coscioni como cabeça de chapa em três das maiores
regiões eleitorais do país (Lácio, Campania e Toscana), os chefes carismáticos dos
radicais, Marco Panella e Emma Bonino, asseguram que mais do que o objetivo de aumentar o
número de seus votos (que sempre oscilaram entre os 700 mil e 1,2 milhão) estão
tentando mobilizar e sensibilizar a opinião pública e os futuros governantes do país
para a necessidade de desenvolver o programa de pesquisa científica sobre a clonagem com
finalidade terapêutica, experiência que já está sendo feita nos Estados Unidos,
Grã-Bretanha e outros países europeus - e que na Itália se deve considerar inadiável e
indispensável para os 10 milhões de italianos que sofrem de doenças degenerativas como
a esclerose múltipla, o mal de Alzheimer e o diabete, hoje consideradas incuráveis.
Cientistas - O apoio dado
publicamente por 187 cientistas e por 30 Prêmios Nobel das mais diversas nacionalidades e
especializações - como o químico canadense Sidney Altman, o médico belga Cristian De
Duve, o químico inglês Aaron Klug, o físico americano Maerin L.Perl, químico inglês
John E.Walker, o francês Jean-Marie Lehn e o médico dinamarquês Jens Christian Skou -
valem como uma demonstração convincente de que, desta vez, a candidatura do doente
desenganado Luca Coscioni não é apenas mais uma das extravagâncias que o pequeno e
barulhento partido radical inventa para obter resultados eleitorais menos medíocres. A
informação de que a oposição do Vaticano e do episcopado italiano foi suficiente para
persuadir as forças políticas (de governo e de oposição) a suspenderem qualquer
discussão sobre a clonagem terapêutica, foi suficiente para que tantos expoentes da
comunidade científica passassem a apoiar e pedir votos para Luca Coscioni, candidato dos
radicais ao Parlamento italiano.
Um candidato que nada teria em comum com outros apresentados e eleitos pelo mesmo
imaginoso partido radical em anos passados, como a pornostar Ilona Staller, mundialmente
famosa como a Cicciolina ou como o cantor e compositor Domenico Modugno, autor da
canção Volare, conhecida no mundo inteiro, eleitos deputados nacionais na décima
Legislatura do Parlamento italiano (1987/92); ou como o professor Toni Negri, teórico e
guru dos terroristas das Brigadas Vermelhas, eleito deputado na nona Legislatura
(1983/1987). (Araújo Netto, Jornal do Brasil) |