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Berlusconi se alia à extrema direita no sul 

18/04/2001

 

 

Coalizão, liderada pelo empresário e favorita nas eleições parlamentares de maio, fecha pacto com a Chama Tricolor na Sicília

   A oposição de centro-direita italiana, liderada pelo empresário Silvio Berlusconi, fechou um pacto eleitoral com um partido de extrema direita, a Chama Tricolor. Um porta-voz da Força Itália, o partido de Berlusconi, disse que o acordo valerá apenas para a Sicília (sul), não abrangendo o resto do país.

   A coalizão direitista Casa das Liberdades, liderada por Berlusconi, é a favorita nas eleições parlamentares de 13 de maio. Pesquisas de opinião dão a ela pouco mais de 50% dos votos, enquanto a coalizão de esquerda Oliveira (no governo) e os comunistas recebem pouco menos de 40%.

   Gianfranco Micciche, líder da Força Itália na Sicília, explicando o pacto com a extrema direita, disse que a direita precisa do apoio de todas as forças para derrotar o comunismo.

   "O próprio Berlusconi estabeleceu as regras segundo as quais os líderes regionais da centro-direita têm a liberdade de fazer as alianças que julgarem necessárias em suas áreas", disse Micciche.

   O acordo pode gerar insatisfação entre colegas da Itália na União Européia, que já manifestaram preocupação em relação a posições de alguns membros da coalizão de Berlusconi sobre as regras democráticas da UE, direitos das minorias e imigração.

   O chanceler belga, Louis Michel, já acusou Umberto Bossi, líder do partido xenófobo Liga Norte, de expressar posições racistas.

   O Partido Democrático da Esquerda, o maior da coalizão Oliveira, atacou o pacto de Berlusconi com a extrema direita siciliana. "Berlusconi está dando aos italianos uma coalizão de governo única na Europa, pois terá o apoio da extrema direita e dos fascistas", disse Gavino Angius, líder do partido no Senado.

   A Chama Tricolor foi fundada após o Movimento Social Italiano ter se distanciado do fascismo, tornando-se a Aliança Nacional, liderada por Gianfranco Fini, que pressionou seus ativistas a rejeitar o racismo e o totalitarismo. A Chama Tricolor foi fundada pelos que se opuseram às reformas no movimento neofascista. Fini, cujo partido é o terceiro maior da Itália, poderá ser o vice-premiê numa eventual vitória da direita.

   "A Itália precisa de um homem forte que possa pôr fim a esse indecente jogo político", disse Alberto Acierno, líder da Chama Tricolor. Simpatizantes da Chama saíram às ruas em dezembro passado em defesa do líder da extrema direita austríaca Jörg Haider, quando ele esteve no país para uma cerimônia no Vaticano.

   No início do mês, a Casa das Liberdades fechou um acordo entre seus membros que prevê a regionalização da política de imigração e determina a divisão do poder num eventual governo de direita.

   O teor do acordo, supostamente secreto, foi revelado por Umberto Bossi. No caso de uma vitória eleitoral da direita, a entrada de imigrantes -tema principal da campanha da Liga- passaria a ser controlada pelas regiões, que teriam o direito de fixar cotas. Seriam aceitos apenas estrangeiros já munidos de contratos de trabalho. O pacto também menciona outras metas, como a desregulamentação econômica, a redução dos impostos trabalhistas, o combate ao trabalho informal, grandes obras e uma política em prol da família e do ensino privado. Os poderes do Estado central seriam substancialmente reduzidos em favor das regiões. (Folha de S. Paulo)

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