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Viagem
espacial de físico romano comove o país
ARAUJO
NETTO
ROMA - Umberto Guidoni é o herói que
exalta e comove os italianos neste momento. É um romano de 47 anos, casado, pai de um
filho de nove anos nascido em Houston, doutor em Física e Astrofísica, um dos sete
membros da tripulação da nave espacial Endeavour que viaja no espaço numa
velocidade de 27 mil quilômetros por hora com a missão de ancorar na Estação
Internacional Espacial, que está sobre o Oceano Índico, próximo das ilhas Maldivas.
Os americanos da Nasa que o conhecem há
muitos anos e o condecoraram com a Medalha do Vôo no Espaço em 1996, preferem tratá-lo
como ''Doctor'' Guidoni. Na Itália, ao contrário, ele é acima de tudo o primeiro
astronauta da Europa Ocidental a participar da nova e importante etapa da conquista
espacial: a construção da ''Casa Comum'' no espaço. Quase do tamanho de um campo de
futebol, capaz de hospedar 500 ou 600 pessoas e com cinco laboratórios para experiências
científicas que devem mudar o nosso modo de viver.
Um projeto que está sendo executado por um mutirão internacional de
cientistas, técnicos e engenheiros, recrutados entre americanos, russos, europeus
ocidentais, canadenses, japoneses e brasileiros.
O vôo iniciado na noite de quinta-feira, com um perfeito lançamento em Cabo
Canaveral da nave Endeavour, foi o segundo realizado pelo astrofísico romano. Em
1996, Umberto Guidoni passeou no espaço durante 18 dias, girando 252 órbitas ao redor do
planeta. Desta vez, a missão da tripulação do Endeavour, formada por quatro
americanos, um russo, um canadense e o italiano Guidoni, será mais breve (durará 10
dias, 19 horas e 19 minutos). Em compensação, será muito mais complicada. Porque o Endeavour
está carregando o módulo Raffaello, construído pela agência espacial européia,
com tecnologia inteiramente italiana e um custo de US$ 900 milhões, que de hoje até o
dia 29 deste mês deverá ser atrelado à estação orbital que está sendo construída.
Antes de partir para a grande aventura sonhada desde que, aos 15 anos de
idade, viu pela televisão o desembarque na lua do americano Neil Amstrong, Umberto
Guidoni fez duas revelações: a de que, na sua minibagagem, está levando apenas um CD
com as aberturas das óperas de Giuseppe Verdi e um pedaço de queijo parmesão, além das
bandeiras italiana e da União Européia. A segunda revelação foi a de sua ansiedade:
''Não vejo a hora de entrar na estação espacial. No shuttle, eu serei sempre um
hóspede dos americanos, mas, na estação, serei o dono da casa. Porque toda a operação
de montagem do módulo Raffaello será realizada por mim''. (Jornal do Brasil) |