O drama de Bellochio gira em torno de um artista, ateu
convicto, cuja paz de espírito é abalada quando sua família quer envolvê-lo numa
campanha do Vaticano pela beatificação de sua mãe, que morreu assassinada.
Os comentários que o filme faz sobre a hipocrisia que cerca o catolicismo
provocou críticas acirradas da influente organização dos bispos italianos, a
Conferência Episcopal Italiana (CEI).
"A destruição sistemática dos valores familiares e religiosos
continua a ser o alvo predileto de Bellochio, mesmo hoje, no terceiro milênio",
disse a CEI.
O diretor respondeu, apontando que sua produção foi feita para ser uma
tragédia familiar e não uma denúncia da Igreja, como tem sido interpretado por alguns
críticos católicos.
Bellocchio disse ainda que respeita o direito dos bispos italianos de
terem uma visão crítica de seu filme, mas não de questionar sua inclusão no festival
de Cannes.
Lançado pela distribuidora estatal Instituto Luce em 70 salas no país, The
Religion Hour estreou na Itália na sexta, com uma classificação que limita o acesso
de menores de 14 anos, devido ao uso de "linguagem blasfema".
A classificação ressalta as peculiaridades do sistema italiano de
classificação etária de espetáculos e filmes. Nele, violência e sexo explícito
frequentemente passam sem restrições, mas conteúdos que firam a Igreja continuam a ser
malvistos.
Reuters