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Os hits da máfia italiana

25/07/2002

 

 

Canções celebram o mundo do crime

Neil Strauss, The New York Times

   REGGIO CALABRIA, ITÁLIA - Nos mercados das cidades nas pequenas montanhas que cercam Reggio Di Calabria, no Sul da Itália, um músico chamado Mimmo Siclari costuma ser encontrado vendendo fitas cassete na parte de trás de seu caminhão, o que faz há décadas.

   As fitas, muitas das quais ele mesmo produziu, são envolvidas em capas com ilustrações explícitas de homens decapitados, com tiros no coração ou viúvas em roupas de luto. As fitas são transparentes, porque apenas esses modelos são permitidos nas prisões italianas, onde pode ser encontrada a maioria dos fãs desse tipo específico de música.

   Siclari não vende rap ou heavy metal: ele vende um tipo de música folclórica pertencente a uma bizarra tradição calabresa chamada II canto di malavita, o que pode ser traduzido como canções de uma vida de crimes. Popularmente, tais canções são conhecidas simplesmente como a ''música da máfia''. (© JB  Online)

Música nos EUA em disco e show

Canções exaltam atos de vingança

   Por mais de 100 anos, os membros da máfia calabresa vêm cantando essas canções em festas que celebram a admissão de um novo integrante, a libertação de um membro da prisão ou, particularmente, algum ato bem-sucedido de vingança. As canções são acompanhadas de letras que usam palavras da gíria da máfia e expõem seu código sangrento de honra e respeito. ''Quem tomar a liberdade de desprezar suas tarefas, eu matarei como um animal'', diz uma canção. ''E se alguém se atrever a falar, eu afiarei a minha faca.''

   A despeito das questões na Itália sobre a legalidade da distribuição e execução das músicas que glorificam a máfia, essa forma pouco conhecida e sangrenta de sonoridade continua a atrair o público local e deve fazer sua estréia americana com o lançamento de um CD intitulado Il canto di malavita e um show realizado por Siclari e seus músicos.

   Com a divulgação do álbum nos EUA agendado para o próximo mês, a música que provocou a ira de muitos críticos na Itália já preocupa organizações ítalo-americanas, que temem a glorificação do comportamento mafioso. O CD já se encontra disponível em muitos países da Europa, mas nenhuma gravadora italiana concordou em divulgá-lo por temer reações ao conteúdo.

   ''A gravadora nos chamou e perguntou se víamos algum problema no lançamento do CD. Respondi que teríamos sérios problemas'', diz Dona De Sanctis, vice-diretora executiva da Ordem dos Filhos da Itália nos EUA, organização filantrópica para ítalo-americanos. ''Isso é, a princípio, uma tentativa grosseira de ganhar dinheiro com o caso de amor que a América mantém com o mito da máfia. Se o CD recebesse outro nome, eles sabem que não venderiam nada. Essa não é uma tentativa de mostrar às pessoas as tradições do Sul da Itália.''

   Muitos na Calábria, e não apenas as famílias do crime, discordam. ''Essa é uma tradição que está presente em nossas vidas'', diz Don Pino Strangio, diretor do Santuário Madonna della Montagna em Polsi, uma capela para a Virgem que é um dos lugares sagrados na Calábria. ''As canções são feitas não para glorificar a máfia, mas para falar sobre valores que muito importantes para nós.''

   Francesco Sbano, que compilou o CD Canto di malavita, explica: ''Quero que as pessoas falem da Calábria no seu contexto cultural, para que entendam por que a máfia nasceu no Sul da Itália e por que se tornou ruim.'' (© JB  Online)

 

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