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Notizie d'Italia

 

O tempero do agriturismo

09/08/2002

Os turistas agora buscam também a Itália do interior

 

Jacqueline Costa

   Há quem diga que a Itália é ainda mais autêntica e saborosa no interior. Quem já conhece as cidades mais famosas do país, como Roma e Veneza, sabe disto e tem procurado traçar seu itinerário por desconhecidos povoados e vilarejos, onde pode ter a sorte de apreciar de perto a produção de vinhos, queijos, azeites, doces e embutidos.

   Chamado de agriturismo, o turismo rural italiano surgiu há mais de 30 anos, quando os primeiros camponeses resolveram abrir as portas de suas casas para os viajantes. Percebendo a demanda, no início da década de 90, o governo italiano começou a licenciar as propriedades rurais. Desde então, a viagem pelo interior do país tem se tornado um circuito “enogastronômico”. E não é fácil resistir à gula numa mesa coberta por uma singela toalha xadrez.

   São inúmeros pratos típicos e uma infinidade de produtos. Segundo o órgão oficial de turismo da Itália, o Ente Nazionale Italiano per il Turismo (Enit), o agriturismo movimenta cerca de 360 milhões de euros por ano. E cerca de 430 mil estrangeiros experimentam o simpático programa. (© O Globo On line)

Há mais de dez mil estabelecimentos de agriturismo distribuídos por todo o país

   Segundo o Enit , o escritório de turismo italiano, existem dez mil estabelecimentos de agriturismo distribuídos pelas 21 províncias do país. Deste total, cerca de 6.500 se dedicam exclusivamente a receber os turistas. O restante é formado por lugares que funcionam como restaurantes ou espaços onde é possível passar o dia apreciando de perto a produção de queijos, por exemplo.

   Para que possa ser licenciado para o agriturismo, uma das condições impostas pelo governo italiano é que o estabelecimento produza, no mínimo, 80% de tudo o que vende ou consome. Depois de seguir esta norma, qualquer dono de fazenda ou de um pedaço de terra pode se capacitar para receber visitas.

   Há opções para os mais variados gostos e bolsos. É possível ser recebido em pequenas casales , aconchegantes casas de família, onde o visitante pode provar receitas preparadas com esmero pelos proprietários. E, assim sendo, o visitante corre até mesmo o risco de presenciar uma italianíssima e engraçada discussão.

   Segundo o italiano Massimo Alfieri, diretor da agência de viagens Jet Line, a adaptação desses lugares foi sendo feita aos poucos.

   — A maioria dos atuais agriturismos eram grandes fazendas ou casas de campo que foram adaptadas para acomodar os hóspedes. O ideal é se hospedar por pelo menos uma semana. Esse tipo de viagem significa ar puro e boa comida — explica Alfieri, acrescentando que os brasileiros costumam primeiro conhecer as grandes cidades da Itália, antes de se dedicar ao agriturismo.

   Empolgada, a chef carioca Flávia Quaresma lembra que a viagem pelo interior da Itália foi uma das que mais marcou a sua vida.

   — Fui para Toscana, Piemonte e Veneto. Durante duas semanas, visitei vinícolas acompanhada por um grupo de chefs brasileiros. O tour começou por Alba, em outubro, na época das trufas brancas. Visitamos seis vinícolas. Uma delas foi a Rocca Delle Macìe, que tem uma pousada — relembra Flávia.

   Mesmo no campo, a sofisticação não fica de fora. Na Locanda dell'Amorosa, em Siena, na Toscana, as atividades de lazer incluem banhos de piscina, quadras de tênis, área para equitação e campos de golfe. Um dos lugares mais charmosos da Locanda é o antigo estábulo, que foi transformado num rústico e elegante restaurante, que dispõe de cuidadosa e seleta carta de vinhos, com mais de 130 marcas da bebida. O cardápio, que inclui pratos com trufas brancas, é assinado pelo chef Francesco Sabbadini.

   Para os que fazem de tudo para garantir uma boa recordação, vale dizer que em alguns estabelecimentos a realização de tarefas é, digamos, interativa. Os hóspedes são convidados a ajudar na colheita das uvas, por exemplo, e até esmagam algumas com os pés.

   A publicitária Michelle Balbi sente saudades das férias passadas na Umbria.

   — Em alguns vilarejos, as roupas estendidas nas janelas dos sobrados lembram que a vida é muito mais do que a correria do dia-a-dia. O único problema da minha viagem foi ganhar alguns quilos a mais — diz Michelle.
(© O Globo On line)

Piemonte: não há lugar melhor para comer, beber e dormir
Luciana Fróes

Asti, Piemonte

   Até viajar pelo Piemonte — terra das trufas, do torrone, do Ferrero Rocher e da Nutella, das polpas adocicadas do tomate Sanmarzano e dos grandes vinhos italianos —, jamais tinha ouvido falar em agriturismo. Nem sei como, afinal, essa simpática forma de acomodar os visitantes é hoje prática comum em toda a Itália.

   No caso do Piemonte, não consigo vislumbrar outro endereço melhor para passar uns dias por ali comendo, bebendo e dormindo entre as vinhas de uma região que responde pelos 3,3 milhões de litros de Barolo, Barbaresco, Nebbiolo D’Alba, Dolcetto, Moscato...

   Tem coisa melhor do que dormir entre lençóis com cheirinho de alfazema e abrir a janela de manhã e avistar quilômetros de vinhas frutificando? Estive no Tenuta dei Re (que produz os vinhos d.o.c Grignolino d'Asti e Ruchè di Castagnole), uma encantadora vinícola--pousada, de construção rústica de muitos cômodos, cujo os donos mostram seus vinhedos, comandam as degustações, cozinham e ainda sentam-se à mesa comunitária para comer um risotto e conversar. Como num filme de Ettore Scola.

   O melhor é que fica entre Asti e Alba, onde há dezenas de castelos-enotecas, ótimos restaurantes e as melhores grifes espalhadas pelas ruelas de Alba. A alta temporada acontece em setembro, época das trufas e da colheita das uvas. LUCIANA FRÓES é repórter gastronômica (© O Globo On line)


Estabelcimentos produzem, no mínimo, 80% das iguarias comercializadas

   A história conta que os italianos produzem vinho desde o ano 2000 antes de Cristo. E, desde então, os vinhedos do país despertam a curiosidade dos que amam a bebida.

   Localizada no noroeste da Itália, a província do Piemonte tem vinhos de grande prestígio, produzidos com as uvas Nebbiolo, dentre os quais o mais conhecido é o Barolo, proveniente de uma pequena região em torno da cidade que lhe empresta o nome. Ele é caro, porque, além de produzido em pequenas quantidades, tornou-se uma verdadeira grife. É feito na Fazenda Borgogno, fundada em 1761.

   A região da Toscana, e em especial as cidades de Siena e Firenze, também se destaca pelo grande número de vinhos de qualidade que produz, sendo considerada por muitos como a Bordeaux italiana. O vinho mais popular do lugar é o Chianti, consagrado pela célebre garrafa bojuda, com a base envolta em palha. Esse vinho foi o primeiro da Europa a ter sua região demarcada, em 1716, pelo grão-duque da Toscana, Cosimo de Medici III.

   O chef do restaurante Cipriani, Francesco Carli, atestou o potencial enológico e gastronômico da Toscana em sua última viagem à Itália, há cerca de uma semana.

   — Todo o país é apropriado para o agriturismo, mas a Toscana é especial. Além de admirar belas paisagens, lá é possível experimentar uma enorme variedade de produtos típicos — diz Carli.

   A lista dos produtos de destaque inclui queijos, chocolates, azeites de oliva, lingüiças de porco selvagem e as exclusivas trufas, que são uma espécie de cogumelo subterrâneo muito apreciado pelo sabor e aroma agradáveis. A maior parte das iguarias é vendida aos hóspedes pelos proprietários das fazendas.

   Os brasileiros já conhecem este queijo, mas poucos sabem que o nome veio de uma antiga cidade da província de Milão, que se chamava Gorgonzola. Hoje em dia, por lei e por tradição, apenas duas regiões italianas produzem a variedade: Piemonte e Lombardia. Os turistas que quiserem provar o gorgonzola original não podem deixar de passar pelas principais províncias produtoras do laticínio, como Vercelli, Novara e Cuneo, no Piemonte.

   Também muito procurado pelos turistas, o vilarejo de Montefalco é um pequeno povoado na Umbria, com cenário repleto de olivais, vinhedos e velhos solares.

(© O Globo On line)

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