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Rui Martins
Dois cineastas italianos mostram o documentário em
vídeo com título em português, Sem Terra, feito no Brasil, enxertado com
entrevistas de líderes do MST
Locarno, Suíça
- O último assentamento dos Sem Terra é aqui em
Locarno, onde dois cineastas italianos mostram o documentário em vídeo com título em
português, Sem Terra, feito no Brasil, enxertado com entrevistas de líderes do
MST, militantes da Igreja católica como frei Beto e cenas do massacre de Carajás.
O documentário teve sua realização facilitada com
o apoio do cineasta brasileiro Paulo Cesar Saraceni, que fala em nome "dos sem tela,
pois 98% da distribuição dos filmes no Brasil está na mão dos americanos e o cinema
brasileiro não tem mais onde projetar seus filmes".
Roberto Torelli, um dos realizadores com Pasquale
Scimeca, é conhecido documentarista italiano, cujo último trabalho Bella Ciao,
comparando as manifestações anti-globalização em Gênova com a resistência italiana,
foi censurado e proibido pela televisão italiana RAI, agora sob controle do governo de
Sílvio Berlusconi. Os cineastas Roberto Torelli e Pasquale Scimeca estiveram no ano
passado, no Forum Social Mundial de Porto Alegre, quando documentaram as primeiras cenas,
inclusive a da ocupação da fazenda Monsanto e da sua plantação de cereais
transgênicos.
O vídeo destaca a importância do apoio da ala
progressista católica ao movimento, num sincretismo de São Francisco de Assis, Santa
Clara, Che Guevara e Mao, mostrando que a religião pode ter um papel importante no
combate à miséria no Brasil. Enfim, o documentário mostra os resultados positivos do
MST, obtidos num dos assentamentos no Rio Grande do Sul - numa grande área antes
improdutiva, onde hoje vivem duas mil famílias, com produtos agrícolas e criação de
gado de corte e leiteiro. O documentário tem Chico Buarque e Milton Nascimento no fundo
musical. (© estadao.com.br) |