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Troféu conquistado pelo Torino em
1943 aparece na Christie's, em Londres
TURIM - Um pedaço valioso da história do Torino sumiu da sala de
troféus do clube e reapareceu em Londres, na Christie's, uma das mais famosas casas de
leilão do mundo. O novo objeto de desejo de colecionadores de obras ligadas ao esporte é
a Copa Itália de 1943. A taça foi conquistada pela equipe grená de Turim, na época em
que tinha formação quase imbatível, e 60 anos depois pode ser arrematada por valor que
oscila entre os US$ 52.500 e 70.000.
O leilão, no entanto, pode vir a ser suspenso. O caso está mal
explicado, virou tema de polêmica no verão italiano e merece atenção até do
Ministério Público. O promotor Raffaele Guariniello, o mesmo que investigou escândalos
de doping e de passaportes falsos no país, recebeu dossiê em que o clube acusa o
desaparecimento, em 2000, de troféus e documentos históricos.
A pergunta inicial a ser respondida nesse mistério é: como a copa foi
parar na Christie's? O primeiro personagem a levantar suspeitas foi Natalino Fossati, que
atuou no Torino entre 1963 e 1974. O ex-jogador admite que a taça até algum tempo atrás
era sua, pois a recebera de presente, em 1971, do então presidente Orfeo Pianelli.
A trama poderia parecer fácil, mas se complica nesse ponto. Fossati jura
que deu a réplica da Copa Itália para um amigo que se encontrava "em
dificuldades" e que, depois disso, não soube mais nada a respeito do destino da
taça. Ao mesmo tempo, o octogenário Pianelli afirma que nunca presenteou Fossati com
algo que pertencia ao acervo do clube.
A confusão aumentou porque a Christie's não informa de quem recebeu a
copa em consignação. O presidente do Torino, Tilly Romero, decidiu recorrer à Justiça
para impedir o leilão. O troféu foi conquistado durante a Segunda Guerra, após goleada
de 4 a 0 sobre o Venezia, e é um dentre centenas de peças desaparecidas do Torino, que
nos últimos 15 anos se viu obrigado a mudar de sede algumas vezes, por dificuldades
financeiras. Nessas andanças, fotos antigas, medalhas, documentos eram levados como
recordações dos antigos tempos de glória. (© O Estado de S. Paulo) |