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ROMA (Reuters) - Se, depois de morrer, você acabar no purgatório, não
há o que temer. Apenas se lembre de enviar uma mensagem para as pessoas
que ficaram na Terra, aconselha uma igreja de Roma.
A Igreja do Sagrado Coração abriga um dos menores e mais estranhos
museus do mundo -- uma coleção de sinais enviados do além-túmulo por almas presas no
purgatório.
Impressões digitais em livros de orações, queimaduras em mesas de
madeira na forma de mãos e fronhas e mangas de camisa com marcas de fogo parecem ser o
equivalente a papel e caneta no purgatório.
"A maior parte de nossos visitantes vem aqui motivada pela
curiosidade. Mas a fé é a chave para compreender as relíquias," disse Roberto
Zambolin, guia da igreja.
Os católicos acreditam que os espíritos presos entre o céu e o inferno
enquanto pagam seus pecados podem apressar sua entrada no paraíso se seus familiares e
amigos rezarem por eles.
E alguns habitantes do purgatório parecem sentir que seus entes queridos
precisam, às vezes, ser gentilmente lembrados disso.
"Queimar a marca de sua mão esquerda sobre uma mesa de madeira foi o
modo encontrado por um monge do século 18 para pedir a seus colegas que rezassem mais
missas para ele a fim de acelerar a entrada dele no paraíso", diz Zambolin.
Em um único dia de 1731, o monge Panzini não apenas imprimiu sua mão na
mesa, mas fez uma marca de sua impressão digital em um papel e por duas vezes agarrou as
mangas do hábito de uma freira, deixando marcas de queimado sobre elas.
Os sinais de Panzini são um aperitivo do que está à mostra na sala
chamada de Pequeno Museu do Purgatório, localizada ao lado da igreja.
O museu, com cerca de cem anos de idade, foi projetado por Victor Jouet,
um padre francês que viajou pela Bélgica, França, Alemanha e Itália, reunindo
relíquias para a igreja.
A coleção de Jouet continua sendo exposta apesar de uma discussão
recente a respeito do fechamento do museu.
"Percebemos que a maior parte dos visitantes não era cristã, mas
pessoas que acreditavam na paranormalidade e, em alguns casos, no demônio. A Igreja
Católica não quer encorajar esse tipo de coisa. Mas acabamos nos decidindo por deixar o
museu aberto," afirmou Zambolin. (© UOL Últimas Notícias) |