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Museu reúne sinais enviados por almas presas no purgatório

19/08/2002

 

 

ROMA (Reuters) - Se, depois de morrer, você acabar no purgatório, não há o que temer. Apenas se lembre de enviar uma mensagem para as pessoas que ficaram na Terra, aconselha uma igreja de Roma.

   A Igreja do Sagrado Coração abriga um dos menores e mais estranhos museus do mundo -- uma coleção de sinais enviados do além-túmulo por almas presas no purgatório.

   Impressões digitais em livros de orações, queimaduras em mesas de madeira na forma de mãos e fronhas e mangas de camisa com marcas de fogo parecem ser o equivalente a papel e caneta no purgatório.

   "A maior parte de nossos visitantes vem aqui motivada pela curiosidade. Mas a fé é a chave para compreender as relíquias," disse Roberto Zambolin, guia da igreja.

   Os católicos acreditam que os espíritos presos entre o céu e o inferno enquanto pagam seus pecados podem apressar sua entrada no paraíso se seus familiares e amigos rezarem por eles.

   E alguns habitantes do purgatório parecem sentir que seus entes queridos precisam, às vezes, ser gentilmente lembrados disso.

   "Queimar a marca de sua mão esquerda sobre uma mesa de madeira foi o modo encontrado por um monge do século 18 para pedir a seus colegas que rezassem mais missas para ele a fim de acelerar a entrada dele no paraíso", diz Zambolin.

   Em um único dia de 1731, o monge Panzini não apenas imprimiu sua mão na mesa, mas fez uma marca de sua impressão digital em um papel e por duas vezes agarrou as mangas do hábito de uma freira, deixando marcas de queimado sobre elas.

   Os sinais de Panzini são um aperitivo do que está à mostra na sala chamada de Pequeno Museu do Purgatório, localizada ao lado da igreja.

   O museu, com cerca de cem anos de idade, foi projetado por Victor Jouet, um padre francês que viajou pela Bélgica, França, Alemanha e Itália, reunindo relíquias para a igreja.

   A coleção de Jouet continua sendo exposta apesar de uma discussão recente a respeito do fechamento do museu.

   "Percebemos que a maior parte dos visitantes não era cristã, mas pessoas que acreditavam na paranormalidade e, em alguns casos, no demônio. A Igreja Católica não quer encorajar esse tipo de coisa. Mas acabamos nos decidindo por deixar o museu aberto," afirmou Zambolin. (© UOL Últimas Notícias)

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