PARIS - Estamos
assistindo a uma grande ofensiva da imprensa européia contra o candidato favorito segundo
as pesquisas na Itália, o magnata Silvio Berlusconi, da Força Itália. Segundo algumas
publicações, ele não reúne as mínimas condições para governar o país, suspeito de
atividades ilícitas por meio de seu grupo empresarial Fininvest, envolvido em diversos
escândalos financeiros e fraudes fiscais, além de ter concluído uma aliança com grupos
da extrema direita neofascista italiana, a Aliança Nacional e a Liga Lombarda. Depois das
sanções decretadas pela União Européia (UE) contra a coalizão de direita austríaca,
agora é a Itália que se encontra na lista, não se afastando a possibilidade de ser alvo
de sanções, caso o eleitorado confirme nas urnas essa tendência favorável a
Berlusconi.
Essa possibilidade de sanções européias está sendo admitida pelo
ministro do Exterior da Bélgica, Louis Michel, representante do país que deverá assumir
a presidência da UE em 1.º de julho e, em novembro, liderou a campanha contra a aliança
de governo entre os conservadores e a extrema direita na Áustria. Quando indagado sobre
eventuais sanções no caso da eleição de Berlusconi, o ministro belga tem sido claro:
"Mesma ameaça, mesmo tratamento."
A UE corre o risco de enfrentar uma segunda crise de valores caso a
aliança de direita liderada por Berlusconi vença o pleito legislativo no dia 13.
Para o ex-primeiro-ministro italiano Massimo D'Alema, uma vitória de
Berlusconi faria a Itália retroceder para a "segunda divisão" européia.
Além da revista The Economist, de Londres, a mais feroz nos ataques
contra Berlusconi, numerosos jornais europeus têm dissecado o candidato, investigando seu
império, suas negociatas e suas ligações perigosas, como o Herald Tribune e o Financial
Times. O jornal conservador alemão Die Welt afirma, por exemplo, que desde o momento em
que Berlusconi decidiu participar da vida política italiana, não teve mais sossego nas
suas disputas com a Justiça e os juízes anticorrupção. Os processos abertos pelos
juízes tratam de casos de financiamento ilícito de partidos, de corrupção de
magistrados e policiais, balanços falsos do grupo Fininvest, conluio com a Máfia e na
Espanha, compra do grupo Telecinco, mas Berlusconi tem conseguido contornar os obstáculos
judiciários.
Berlusconi está atravessando uma fase das mais difíceis, mas muitos
analistas italianos não estão convencidos de que essa ofensiva será suficiente para
derrotá-lo nas urnas, pois uma parcela importante do eleitorado continua preferindo
acreditar em suas promessas, como a de promover uma forte redução da pressão fiscal,
criação de 1 milhão de empregos em cinco anos, novas privatizações e grandes obras
públicas, a começar pela construção de uma ponte ligando a Calábria, no continente,
à Sicília. (O Estado de S. Paulo)