Não há mais limite de jogadores estrangeiros no futebol italiano. Ontem,
a Justiça italiana aboliu o limite de cinco jogadores não-comunitários
por equipe na Série A. A decisão tem efeito imediato e vigora já na
rodada deste fim-de-semana -os clubes podiam levar a campo três
não-comunitários.
A mudança é uma verdadeira
revolução no futebol italiano e mundial. No total, há 67 jogadores não-comunitários
na divisão de elite da liga italiana -com a mudança, é possível agora que todos atuem
em uma rodada.
Para proteger a
""identidade" do futebol italiano, a Justiça do país determinou que a
contratação de jogadores não-comunitários tenha agora um limite.
A federação, o comitê olímpico e
a associação de jogadores da Itália deverão ter uma reunião nos próximos dias para
definir o limite de atletas não-comunitários que poderão ser contratados por temporada.
Vários clubes, como Milan, Lazio,
Inter, Udinese, Sampdoria e Vicenza, solicitavam o fim do limite de estrangeiros no
futebol italiano. Alguns jogadores não-comunitários na Itália também brigavam na
Justiça por isso.
A ""revolução"
acontece no momento em que dezenas de processos envolvendo atletas com passaportes
comunitários falsificados têm destaque na Itália. Clubes estariam envolvidos em uma
rede de falsificação de documentos.
Dois atletas na Itália conseguiram
recentemente na Justiça o direito de trabalhar passando por cima do limite de
estrangeiros. Tribunais ordinários apoiaram o camaronês Ekong, que tinha sido impedido
de jogar na Série C, e o jogador de basquete norte-americano Jeff Sheppard, cujo clube
já tinha dois não-comunitários.
Entre os estrangeiros que estão
"mais livres" no mercado italiano destacam-se os brasileiros Cafu, Dida e Roque
Júnior, o argentino Verón e o uruguaio Recoba, cujos passaportes já foram contestados
por autoridades da Itália.
A liga profissional italiana não
quis fazer anúncio sobre o fim do limite de estrangeiros no Campeonato Italiano. No mais,
a repercussão na Itália foi positiva.
Cesare Maldini, técnico do Milan e
ex-treinador da seleção italiana, disse que a mudança é ""uma conquista
importante para o futebol. Era um absurdo um jogador turco ser considerado comunitário, e
um croata, não".
O meia croata Boban, do Milan,
comemorou o novo sistema. ""Estou contente pelo muro ter caído. Me parece que
foi adotada a decisão mais lógica e justa", disse.
Corrado Ferlaino, dirigente do
Napoli, disse que foi ""uma decisão justa, mas tardia". Sergio Cragnotti,
presidente da Lazio, disse estar ""satisfeito". ""Fomos os
primeiros a propor a mudança." (Folha de S. Paulo)