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Cai limite de estrangeiros na Itália

05/05/2001

 

 

Não há mais limite de jogadores estrangeiros no futebol italiano. Ontem, a Justiça italiana aboliu o limite de cinco jogadores não-comunitários por equipe na Série A. A decisão tem efeito imediato e vigora já na rodada deste fim-de-semana -os clubes podiam levar a campo três não-comunitários.

   A mudança é uma verdadeira revolução no futebol italiano e mundial. No total, há 67 jogadores não-comunitários na divisão de elite da liga italiana -com a mudança, é possível agora que todos atuem em uma rodada.

   Para proteger a ""identidade" do futebol italiano, a Justiça do país determinou que a contratação de jogadores não-comunitários tenha agora um limite.

   A federação, o comitê olímpico e a associação de jogadores da Itália deverão ter uma reunião nos próximos dias para definir o limite de atletas não-comunitários que poderão ser contratados por temporada.

   Vários clubes, como Milan, Lazio, Inter, Udinese, Sampdoria e Vicenza, solicitavam o fim do limite de estrangeiros no futebol italiano. Alguns jogadores não-comunitários na Itália também brigavam na Justiça por isso.

   A ""revolução" acontece no momento em que dezenas de processos envolvendo atletas com passaportes comunitários falsificados têm destaque na Itália. Clubes estariam envolvidos em uma rede de falsificação de documentos.

   Dois atletas na Itália conseguiram recentemente na Justiça o direito de trabalhar passando por cima do limite de estrangeiros. Tribunais ordinários apoiaram o camaronês Ekong, que tinha sido impedido de jogar na Série C, e o jogador de basquete norte-americano Jeff Sheppard, cujo clube já tinha dois não-comunitários.

   Entre os estrangeiros que estão "mais livres" no mercado italiano destacam-se os brasileiros Cafu, Dida e Roque Júnior, o argentino Verón e o uruguaio Recoba, cujos passaportes já foram contestados por autoridades da Itália.

   A liga profissional italiana não quis fazer anúncio sobre o fim do limite de estrangeiros no Campeonato Italiano. No mais, a repercussão na Itália foi positiva.

   Cesare Maldini, técnico do Milan e ex-treinador da seleção italiana, disse que a mudança é ""uma conquista importante para o futebol. Era um absurdo um jogador turco ser considerado comunitário, e um croata, não".

   O meia croata Boban, do Milan, comemorou o novo sistema. ""Estou contente pelo muro ter caído. Me parece que foi adotada a decisão mais lógica e justa", disse.

   Corrado Ferlaino, dirigente do Napoli, disse que foi ""uma decisão justa, mas tardia". Sergio Cragnotti, presidente da Lazio, disse estar ""satisfeito". ""Fomos os primeiros a propor a mudança."  (Folha de S. Paulo)


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