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Feira exibe lado desconhecido da Itália

07/05/2001

 

 

Art Cities Exchange prioriza cidades fora do circuito tradicional e atividades como trekking em áreas arqueológicas

PAULA LAGO

   Ir à Itália e não ver o papa pode não ser tão absurdo. Pelo menos é uma das propostas da Art Cities Exchange, uma feira que tem como foco principal expor o potencial turístico de cidades predominantemente artísticas, ainda que fora do circuito mais conhecido.

   Na sétima edição, o evento, que aconteceu nos últimos dias 27 e 28, reuniu em Roma 180 operadores de turismo e 310 expositores.

   Com a imagem já mais do que explorada para o turismo, Roma não foi o assunto principal da feira. As grandes "vedetes" foram as cidades menores e menos visitadas pelos cerca de 134 milhões de turistas que foram à Itália em 2000, sendo 1 milhão de brasileiros, segundo o Enit, órgão italiano responsável pelo setor.

   A promoção do turismo cultural, de acordo com o presidente do Enit, Amedeo Ottaviani, assegura à Itália o ingresso de mais de 20 bilhões de liras em divisas, cerca de US$ 9,2 milhões.

   Por isso o órgão considera prioritários os investimentos realizados na área de divulgação, valorizando as "marcas" turístico-culturais do país.

   "Além dos itinerários clássicos de turismo, várias outras viagens são oferecidas, incluindo cidades pequenas, sítios arqueológicos, eventos culturais e patrimônios históricos", disse Ottaviani.

Ruínas e esportes

   Alguns exemplos de que a promoção está sendo levada a sério para atrair visitantes são Viterbo, cidade a 82 km de Roma, Santa Marinella, a 62 km da capital, e a região de Emilia Romagna, ao norte da Itália.

   Expositores de Viterbo presentes ao evento procuraram divulgar o local dando explicações sobre o patrimônio histórico que a cidade oferece.

    Lá o turista terá contato com construções medievais, como "Il Quartiere S. Pellegrino di Viterbo", o símbolo da cidade, um distrito do século 13 que mantém seu aspecto praticamente intacto.

   Há também o Palácio Papal, construído entre 1255 e 1267, atualmente utilizado para apresentação de conferências e exibições, além de ruínas, várias catedrais, museus e teatros.
Já em Santa Marinella, o viajante vai encontrar não só atividades culturais, mas também esportivas. Como a cidade fica à beira-mar, é possível praticar esportes como surfe, windsurfe, vela, pesca, mergulho e canoagem.

   Ou até viver situações mais inusitadas, como, durante o verão, conhecer sítios arqueológicos com o "archeobus", fazer "archeotrekking", espécie de "trekking" em áreas arqueológicas, enquanto o "archeosub" oferece a possibilidade de visitar o patrimônio submerso de Pyrgi.
Para quem prefere o contato com a natureza, Santa Marinella conta com uma reserva ecológica, Macchiatonda. O espaço é um fragmento da costa litorânea rico em espécies vegetais e animais.
Na região de Emilia Romagna, o destaque fica com Bolonha e seus centros históricos também desconhecidos da maioria dos turistas.

   A operadora de turismo Cristina Rodrigues, 33, visitou e apreciou muito a cidade. "A Itália não se resume a Roma, Veneza e Milão; é muito bom conhecer esses destinos diferentes." (Folha de S. Paulo)


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