Art Cities Exchange prioriza cidades fora do circuito tradicional e
atividades como trekking em áreas arqueológicas
PAULA LAGO
Ir à Itália e não ver o papa pode não ser tão absurdo. Pelo menos é uma
das propostas da Art Cities Exchange, uma feira que tem como foco principal expor o
potencial turístico de cidades predominantemente artísticas, ainda que fora do circuito
mais conhecido.
Na sétima edição, o evento, que aconteceu nos últimos dias 27 e 28,
reuniu em Roma 180 operadores de turismo e 310 expositores.
Com a imagem já mais do que explorada para o turismo, Roma não foi o
assunto principal da feira. As grandes "vedetes" foram as cidades menores e
menos visitadas pelos cerca de 134 milhões de turistas que foram à Itália em 2000,
sendo 1 milhão de brasileiros, segundo o Enit, órgão italiano responsável pelo setor.
A promoção do turismo cultural, de acordo com o presidente do Enit,
Amedeo Ottaviani, assegura à Itália o ingresso de mais de 20 bilhões de liras em
divisas, cerca de US$ 9,2 milhões.
Por isso o órgão considera prioritários os investimentos realizados na área de
divulgação, valorizando as "marcas" turístico-culturais do país.
"Além dos itinerários clássicos de turismo, várias outras viagens
são oferecidas, incluindo cidades pequenas, sítios arqueológicos, eventos culturais e
patrimônios históricos", disse Ottaviani.
Ruínas e esportes
Alguns exemplos de que a promoção está sendo levada a sério para
atrair visitantes são Viterbo, cidade a 82 km de Roma, Santa Marinella, a 62 km da
capital, e a região de Emilia Romagna, ao norte da Itália.
Expositores de Viterbo presentes ao evento procuraram divulgar o local
dando explicações sobre o patrimônio histórico que a cidade oferece.
Lá o turista terá contato com construções medievais, como
"Il Quartiere S. Pellegrino di Viterbo", o símbolo da cidade, um distrito do
século 13 que mantém seu aspecto praticamente intacto.
Há também o Palácio Papal, construído entre 1255 e 1267, atualmente
utilizado para apresentação de conferências e exibições, além de ruínas, várias
catedrais, museus e teatros.
Já em Santa Marinella, o viajante vai encontrar não só atividades culturais, mas
também esportivas. Como a cidade fica à beira-mar, é possível praticar esportes como
surfe, windsurfe, vela, pesca, mergulho e canoagem.
Ou até viver situações mais inusitadas, como, durante o verão,
conhecer sítios arqueológicos com o "archeobus", fazer
"archeotrekking", espécie de "trekking" em áreas arqueológicas,
enquanto o "archeosub" oferece a possibilidade de visitar o patrimônio submerso
de Pyrgi.
Para quem prefere o contato com a natureza, Santa Marinella conta com uma reserva
ecológica, Macchiatonda. O espaço é um fragmento da costa litorânea rico em espécies
vegetais e animais.
Na região de Emilia Romagna, o destaque fica com Bolonha e seus centros históricos
também desconhecidos da maioria dos turistas.
A operadora de turismo Cristina Rodrigues, 33, visitou e apreciou muito a
cidade. "A Itália não se resume a Roma, Veneza e Milão; é muito bom conhecer
esses destinos diferentes." (Folha de S. Paulo)