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Itália se divide na reta final da eleição

11/05/2001

Militante cola um cartaz de propraganda

 

No último dia de campanha para o pleito de domingo, os candidatos a premiê, Berlusconi e Rutelli, buscam os 25% de indecisos

LILIAN CHRISTOFOLETTI

   Os candidatos a primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi e Francisco Rutelli, realizam hoje, último dia oficial de campanha para eleição de domingo, a tentativa final de conquistar os votos dos indecisos -cerca de 25% do eleitorado, segundo as últimas pesquisas de intenção de voto.
Berlusconi, que representa a coalizão de centro-direita Casa das Liberdades, lidera a corrida eleitoral com cerca de 40% das intenções de voto.

   Mas, em uma das campanhas mais apertadas da história da Itália, ninguém descarta a possibilidade de uma virada de última hora de Rutelli, que está cerca de cinco pontos percentuais atrás de Berlusconi.

   A aliança Oliveira (centro-esquerda, no poder), de Rutelli, organizou um grande comício em Nápoles, sul da Itália, região que concentra mais indecisos.

   Rutelli convidou ainda dezenas de jornalistas para acompanhá-lo na viagem de trem, de Roma a Nápoles.

   "Convidamos jornalistas da Itália e de todo o mundo. É a última oportunidade de Rutelli falar sobre os seu compromisso de campanha", afirmou seu assessor Piero Martino.

   Já o polêmico Berlusconi prepara uma festa no centro de Roma e espera reunir cerca de 2.000 pessoas. Segundo a assessoria do candidato, para atingir votos dos indecisos em toda a Itália o evento será transmitido ao vivo por duas das três emissoras de TV do candidato.

   Nesta semana, Berlusconi viajou pelo menos três vezes ao sul da Itália, fez campanha em zonas tradicionais da esquerda e prometeu uma "mudança revolucionária" na estrutura do Estado.

"A volta dos fascistas"

   Para os eleitores de Rutelli, domingo é um dia crucial para a história da democracia italiana. Para eles, Berlusconi representa o risco da volta do fascismo.

   Entre os aliados de Berlusconi estão a Aliança Nacional, pós-fascista, e a Liga Norte, conhecida pela rigorosa política contra a entrada de imigrantes.

   Esse debate está nas ruas. "Acordar com Berlusconi no poder representaria um retrocesso em nossa democracia. Não queremos um patrão ou um ditador, precisamos de um líder para o nosso país", afirma o comerciante Paolo Zamagni, repetindo as palavras que Rutelli emprega para ironizar as qualidades empresariais de seu adversário.

   O conflito de interesse que uma vitória de Berlusconi poderia gerar também é motivo de críticas. O candidato é dono de três canais de TV e passaria a controlar também as três TVs públicas.
"A legislação italiana é muito clara para isso e impede o monopólio da comunicação. Mas o senhor Berlusconi passaria por cima disso também", diz a economista Cristina Antonielli.

"Comunistas"

   Divididos entre os radicais e os envergonhados, os eleitores de Berlusconi defendem uma pátria livre dos "comunistas" -o megaempresário não passou um dia da campanha sem se referir a seus adversários como "a esquerda comunista".

   Os radicais defendem Berlusconi e exaltam suas qualidades de grande empresário. Entre os vários negócios de Berlusconi estão editoras e o time de futebol Milan.

   "Ele é um homem com grande visão de futuro, não tem medo de arriscar e sempre deu certo em tudo o que fez. Economicamente, para a Itália, será uma excelente aquisição", diz o gerente de hotel Andrea Filiputti.

   Os envergonhados custam a admitir que votarão em Berlusconi. Contraditoriamente, dizem que se sentem mais "esquerdistas", mas que desejam uma mudança política no país.

   A principal promessa de campanha de Berlusconi é criar 1,5 milhão de empregos para os próximos cinco anos. A mesma proposta havia feito em 1994, quando foi eleito primeiro-ministro italiano. Mas ele deixou o poder sete meses depois, sem cumprir a promessa, abandonado pelos principais aliados e acusado de corrupção. (Folha de S. Paulo)


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