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Herói anticorrupção levou a pior |
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16/05/2001
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ROMA - O grande derrotado das eleições
italianas chama-se Antonio di Pietro, o juiz da Operação Mãos Limpas que, por mais de
seis anos (de 1992 a 1997), foi respeitado e celebrado como benfeitor e herói popular,
identificado pela mídia como um bom exemplo de magistrado competente e incorruptível que
a Itália podia oferecer ao mundo. Personagem e símbolo da guerra à corrupção que
varreu do cenário político partidos e líderes intocáveis, com quase 50 anos de
domínio e exercício quase ininterrupto do poder político. Partidos como o da Democracia
Cristã, o Socialista, o Liberal, o Republicano, o Social Democrata.
Depois de uma consagradora eleição
para o Senado, como candidato da Esquerda Democrática na região da Toscana, três anos
atrás, Di Pietro há menos de seis meses resolveu criar um novo partido - Itália dos
Valores - e por ele se apresentar candidato a deputado pela região do Molise, terra onde
nasceu de uma família de camponeses. O resultado dessa tentativa de se insurgir contra os
partidos da direita e da esquerda, de criar uma nova força política para dar
continuidade à sua batalha contra os corruptos, não podia ser mais desastroso: além de
tirar votos do centro-esquerda, que enfrentava um inimigo comum (Berlusconi), Di Pietro
perdeu, jogando em casa. Acabou alcançando só um modesto terceiro lugar, atrás de dois
desconhecidos: um certo Remo Giandomenico, da aliança de direita, e Occhionero,
apresentado pelo centro-esquerda.
No mesmo elenco dos ''derrotados excelentes'' nas eleições de domingo, figuram também
quatro atuais ministros de Estado: Enzo Bianco, do Interior, que perdeu em Catânia,
Sicília, cidade que já o teve como prefeito; Willer Bordon, ministro do Meio Ambiente,
derrotado em Trieste; Salvatore Cardinale, ministro das Comunicações, derrotado na
Sicilia; Enrico Letta, ministro da Indústria, derrotado em Grosseto, na Toscana, por uma
diferença de 334 votos.
Uma derrota muito lamentada pelos milaneses, principalmente pelos que gostam de futebol,
foi a de Gianni Rivera, contemporâneo, amigo e admirador de Pelé por mais de 20 anos (da
década de 60 à de 80), o melhor e mais popular craque do Milan e da seleção italiana.
Um Rivera que, como vice-ministro da Defesa dos governos de centro-esquerda, foi
implacavelmente derrotado na disputa de um colégio eleitoral de Milão, pelo atual
presidente do Milan F.C. e futuro primeiro-ministro da Itália, o inefável cavaliere
Silvio Berlusconi. (A.N., Jornal do Brasil)
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