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Aliado de Berlusconi quer vingança contra TV pública

16/05/2001

 

 

Cotado para ser vice-premier, líder neofascista promete mudar direção da RAI

   ROMA - Gianfranco Fini, 49 anos, líder dos neofascistas da Aliança Nacional e cotado para o cargo de vice-primeiro-ministro de Silvio Berlusconi, pediu ontem que a coligação de direita, vitoriosa nas eleições de domingo, promova várias demissões na RAI, a rede pública de TV italiana, assim que o novo governo assuma. Fini já havia classificado de ''escandalosa'' a cobertura da campanha eleitoral da TV estatal, acusada pela direita de adotar enfoque parcial, crítico a Berlusconi. Segundo ele, uma nova direção da emissora deverá estar no comando já em meados de junho.

   Durante toda a campanha, os adversários de Berlusconi, na esquerda e em grande parte da mídia, inclusive fora da Itália, haviam concentrado suas restrições a Berlusconi no fato de o bilionário homem de negócios já ser dono de três redes de TV no país. Uma vez no governo, advertiam, ele assumiria o controle de seis das oito redes de TV italianas.

   Ataques - A RAI, que além das TVs abrange várias emissoras de rádio, fica normalmente sob responsabilidade do Ministério do Interior, mas tem seu conselho escolhido pelo Parlamento. O que deflagrou os ataques da direita à RAI durante a campanha foi a aparição num programa de humor, Satyricon, do autor de um livro que questiona a legitimidade da fortuna de Berlusconi.

   Apesar da maioria absoluta conquistada pela coligação de direita de Berlusconi, que torna desnecessário o apoio formal da polêmica Liga Norte, o líder deste partido de posições consideradas extremistas e xenófobas, Umberto Bossi, disse ontem esperar que a Liga receba cargos importantes no futuro ministério. Seu partido não conseguiu atingir o índice mínimo de 4% para eleger representantes para o Congresso, mas mantém 17 representantes no Parlamento. Quase 36 horas depois das eleições, os resultados oficiais deram à coligação de Berlusconi 368 deputados e 177 senadores. A Oliveira, coligação da esquerda, elegeu 250 deputados e 128 senadores.

   Cumprimentos - O novo governo só deverá assumir no início de junho. Mas o futuro primeiro-ministro já recebeu ontem os cumprimentos do presidente da França, Jacques Chirac, e do primeiro-ministro britânico, Tony Blair. Uma declaração do Departamento de Estado americano também expressou confiança na colaboração dos EUA com o futuro governo Berlusconi.

Bossi disse acreditar que um representante da Liga ocupe o cargo de ministro do Interior ou a presidência de uma das duas casas do Parlamento. ''Pagamos caro com a perda de votos, mas temos certeza de que nossas idéias federalistas sobre democracia serão ouvidas'', disse.

   ''Devolução'' - O político, que em 1994 provocou a queda do primeiro governo de Berlusconi ao retirar o seu apoio, lançou uma ameaça: ''Ou se aprova nos 100 primeiros dias de governo a devolução de poderes às regiões ou serei obrigado a apresentar minha demissão no próximo congresso''. Devolução é o termo empregado pela Liga para sua principal bandeira: a transferência às regiões do Norte das decisões relativas às áreas de saúde, segurança e educação. Em Bruxelas, o ministro do Exterior da Bélgica, Louis Michel, um crítico eloqüente das políticas antiimigrantes de Bossi, saudou o que considerou ''derrota humilhante'' da Liga Norte.

   O presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, rejeitou ontem o convite feito por Berlusconi para integrar sua equipe de governo. Por enquanto, o nome mais certo para o futuro gabinete é o do economista Giulio Tremonti, 50 anos, cotado para o Ministério da Fazenda. Além de Fini e de Bossi, outros ministeriáveis incluem o ex-embaixador italiano nos EUA, Boris Biancheri, e Letizia Moratti, ex-diretora da RAI e antiga executiva da filial italiana do conglomerado de comunicação de Rupert Murdoch. (Jornal do Brasil)


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