ROMA -- O governo da Itália deu o
sinal verde para a construção de uma ponte ligando o sul da Península
Itálica à ilha de Sicília, mas apenas se o setor privado arcar com pelo
menos a metade do seu custo, orçado em 4,5 bilhões de dólares.
A decisão do gabinete ministerial, anunciada na quarta-feira passada,
veio após décadas de debates sobre a possibilidade de realizar a obra no Estreito de
Messina.
Atualmente a travessia é feita por ferryboats. Para embarcar na temporada
de verão ou nos feriados, os motoristas chegam a aguardar várias horas na fila.
Em janeiro, um estudo requisitado pelo governo estimou que seriam
necessários até 11 anos para construir os 3.690 metros de ponte suspensa.
O ministro dos Assuntos Regionais, Agazio Loiero, disse que "o Estado
está disposto a cobrir 50 por cento do orçamento desde que empresas privadas se
comprometam com igual parcela".
Mas o governo enfrenta uma eleição no próximo mês, e ainda não está
certo se a proposta seria mantida caso a coalizão de centro-esquerda perca para uma
aliança liderada pelo magnata da imprensa Silvio Berlusconi, de centro-direita.
Berlusconi tem prometido, na campanha eleitoral, realizar grandes projetos
de obras públicas.
Os italianos queixam-se de que ouvem governo após governo falar sobre a
possibilidade de construir a ponte, mas nunca vêem o projeto se concretizar.
No sul do país, a frase "quando eles construírem a ponte"
tornou-se uma forma de descrever alguma coisa que não deve acontecer tão cedo.
A Itália tem contemplado o sonho de construir a ponte desde que Giuseppe
Garibaldi desembarcou na Sicília, em 1860, para completar a unificação do país.
Mas os altos custos, os temores de possíveis terremotos, as
preocupações com possível falta de lisura no processo de licitação para a
construção, a ação do crime organizado e, nos últimos anos, as preocupações de
grupos ambientalistas vinham adiando uma decisão sobre o assunto. (CNN, com informações
da Associated Press)