PORTO ALEGRE - Um terceiro e
decisivo milagre ocorrido na capital gaúcha em 1952 levou à canonização da fundadora
das Irmãs da Congregação Filhas do Sagrado Coração de Jesus, a italiana Teresa
Verzeri, que será proclamada santa pelo Papa João Paulo II no próximo dia 10 de junho
na Basílica de São Pedro, em Roma. Por isso, uma procissão luminosa em Esteio, no dia 9
de junho, marcará a homenagem das freiras e dos gaúchos.
O milagre beneficiou uma das irmãs da congregação, Lídia
Ternes, já falecida, que quebrou o pé direito num acidente. Ela foi desenganada pelos
médicos e corria o risco de ter a perna amputada. Ficou curada e voltou a andar depois de
as freiras rezarem para madre Teresa.
Uma das testemunhas ainda vivas do milagre, a irmã Maria Augusta
Ghisleni, de 80 anos, disse ontem que ''presenciar um milagre é emocionante''. Ela contou
que, na véspera da cura, foi falar com irmã Lídia, que sofria muito por causa do pé,
que estava inchado e com pus.
''Disse a ela que precisávamos orar para irmã Teresa. No dia seguinte,
ela caminhou normalmente'', acrescentou Maria Augusta, relembrando os acontecimentos de 22
de agosto de 1952. ''Quando chegou ao refeitório, irmã Lídia explodiu de alegria
dizendo que estava curada''.
O acidente com irmã Lídia aconteceu na véspera do Natal de 1951.
Encarregada de serviços gerais, ela foi fechar portas no pátio. No escuro, caiu num
buraco de dois metros de profundidade. Na época, a freira vivia no município de Três de
Maio.
Depois de uma série de exames, os médicos anunciaram que não havia
qualquer esperança de recuperação do pé e calcanhar quebrados da religiosa. Seis meses
de orações serviram para curar irmã Lídia, num milagre comprovado pelo Vaticano.
A irmã Maria Augusta foi uma das testemunhas do caso no Tribunal
Eclesiástico de Porto Alegre, que ajudou a levantar dados para o processo de
canonização de irmã Teresa. Os dois primeiros milagres ocorreram na Itália,
beneficiando duas religiosas.
A futura santa fundou a congregação há 170 anos em Bérgamo, na
Itália. Suas missionárias trabalham na Europa, América, África e Ásia. Estão no
Brasil há 70 anos e atuam nas áreas de saúde, educação e obras sociais. (Jornal do
Brasil)