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Itália descarta a extradição de Cacciola

28/05/2001

 

 

LILIAN CHRISTOFOLETTI

   O Ministério da Justiça da Itália descartou qualquer possibilidade de o banqueiro Salvatore Alberto Cacciola ser extraditado para o Brasil. Isso não impede que ele seja ouvido pela polícia em território italiano.

   O acordo bilateral entre Brasil e Itália não prevê a extradição de italianos, principalmente para aqueles nascidos no país. Cacciola nasceu na Itália em janeiro de 1944 e naturalizou-se brasileiro em janeiro de 1972.

   Os italianos afirmaram que esse acordo poderia ser revogado se o Brasil aceitasse a reciprocidade do acordo entre países, ou seja, se também permitisse a extradição de brasileiros para a Itália -o que não é permitido pela Constituição.

   O mais viável para o governo brasileiro, segundo o ministério italiano, é procurar ouvir Cacciola por meio de carta rogatória. A polícia do Brasil formula as perguntas e a polícia da Itália ouve o banqueiro. Apesar do trâmite burocrático necessário, é a forma mais segura para conseguir o depoimento de Cacciola.

   No Brasil, o banqueiro é alvo de seis inquéritos da Polícia Federal. Ele é acusado de descaminho (entrada ilegal de produtos importados), tráfico de influência e lavagem de dinheiro.
O pedido oficial para que o banqueiro seja ouvido nos inquéritos instaurados no Brasil foi encaminhado à Itália. Deve chegar ao Ministério da Justiça, em Roma, na próxima semana.

   "É necessário um trâmite burocrático entre os dois países. Ouvir por carta rogatória é muito mais provável para o caso do senhor Cacciola. Um possível processo de extradição está bloqueado por falta de acordo de reciprocidade com o Brasil", disse o chefe de imprensa do ministério italiano, Marco Belli. (Folha de S. Paulo)

Banqueiro vive em casa luxuosa

   Foragido do Brasil há nove meses e acusado de fraude financeira, o banqueiro Salvatore Alberto Cacciola vive hoje em uma casa de três andares, em um luxuoso condomínio fechado nos arredores de Roma.

   O local escolhido por Cacciola está a cerca de 25 minutos do centro da capital italiana e, para entrar, é preciso passar por um enorme portão com senha eletrônica. Na entrada, três placas alertam aos visitantes que a segurança é feita por cães bravos acompanhados por instrutores.

   O condomínio, que faz parte de uma antiga zona feudal da família italiana Crescenza, é bastante reservado. Além de Cacciola, vivem na região apenas duas famílias e os empregados.

   A casa do banqueiro é cercada por um castelo medieval, piscina, quadra de golfe, fontes, estátuas de ninfas e um jardim de azaléias, camélias e gardênias.

   O Castillo di Tor Crescenza, que está situado em frente à casa do dono do Banco Marka, é usado hoje para alguns eventos, como recepção de astros do cinema ou shows esporádicos.

   Distante dos problemas no Brasil, Cacciola leva uma vida tranquila. ""Aqui não sou perseguido pela polícia e não tenho problemas com a Justiça. Sou um homem livre", afirmou o banqueiro à Folha, em entrevista concedida em Roma.

   A conturbada ligação de Cacciola com a Justiça brasileira é desconhecida pelos vizinhos e empregados que vivem no condomínio. Alberto, como é chamado, é definido como um homem gentil e simpático. Na central da companhia telefônica italiana, ele aparece apenas como Alberto Cacciola.

   Diferente de outros moradores, Cacciola não possui um correio na entrada de seu condomínio. As cartas que chegam para ele são entregues direto em sua casa por funcionários.

   Quando chegou em Roma, foragido do Brasil, em julho do ano passado, Cacciola foi morar em um apartamento no elegante bairro romano de Prati, próximo ao Vaticano. Ele buscou uma casa maior e em um lugar mais reservado para receber a família. Na semana passada, foi visitado pela mãe Bianca Pellegri Cacciola.

   Com frequência, é visitado também pelos filhos e pela atual mulher, Adriana Alves de Oliveira, ex-miss Brasil. (LILIAN CHRISTOFOLETTI)


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