RIO - Ano que vem, ao
completar cinco anos da morte de Frei Damião, o Vaticano dará início ao processo de sua
canonização. Frei Damião, um italiano, baixinho e encurvado, conseguia arrastar
milhares de seguidores por onde passava. Morreu no dia 27 de maio de 1997, aos 98 anos,
depois de ter dedicado 76 anos de sua vida a peregrinar pelas regiões mais pobres do
Nordeste brasileiro. Frei Damião era considerado sucessor de outro grande santo
brasileiro: Padre Cícero.
Filho de camponeses, nascido Pio Giannotti, em Bozzano, Norte da Itália,
no dia 5 de novembro de 1898, começou sua formação religiosa aos 12 anos, quando foi
estudar em um colégio de padres. Aos 19 anos foi prestar serviço militar no Exército
italiano, onde ficou até aos 22 anos, participando inclusive da Primeira Guerra Mundial.
Tendo se ordenado padre aos 23 anos, Frei Damião dois anos mais tarde
diplomou-se em Teologia Dogmática, Filosofia e Direito Canônico pela Universidade
Gregoriana. Antes de vir para o Brasil, lecionou e dirigiu por cinco anos vários
conventos. Ao chegar, em 1931, Frei Damião já foi para o Convento de São Félix, que
acabava de ser construído, onde morou até sua morte.
Apesar do seu carregado sotaque, muitas vezes pouco compreendido, Frei
Damião logo conseguiu a simpatia dos mais pobres. Para o povo nordestino, a santidade de
Frei Damião era provada por seus milagres, nunca reconhecidos pela Igreja. Em 1991, o
Instituto de Teologia do Recife catalogou 80 relatos de milagres que lhe foram
atribuídos.
Procurados muitas vezes por políticos, foi sua amizade com o ex-
presidente da República, Fernando Collor de Melo, na época da campanha principalmente,
em 1989, seu maior envolvimento político, chegando até a participar de um comício.
Collor foi fiel a sua ajuda na eleição, que se sagrou vitorioso. e dois anos mais tarde,
o ajudou quando o frei esteve internado em um hospital.
Desde esta época, a saúde do Frei Damião, que tinha problemas
respiratórios, começou a ficar mais debilitada, o levando a várias internações até a
sua morte, em 1997. (BOL/Agência JB)