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Ministério Berlusconi quebra promessa

13/06/2001

Berlusconi com o presidente Ciampi: pressões partidárias

 

Gabinete de 25 ministros rompe compromisso de governo enxuto e vai de encontro a reforma aprovada no parlamento

ARAUJO NETTO

   ROMA - Ao apresentar os nomes dos 24 ministros que farão parte do novo governo italiano por ele chefiado, Silvio Berlusconi descumpriu a primeira das promessas que fez ao longo da campanha eleitoral. Na sua composição, o conselho de ministros que hoje jura diante do chefe de Estado Carlo Azeglio Ciampi é sob pelo menos um aspecto igual aos 58 que o precederam nos últimos 55 anos, desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

   Apesar de o primeiro-ministro ter afirmado que é uma ''equipe que lhe agrada muito, a melhor que se poderia desejar'', em nada se parece com o ministério compacto, competente e ágil insistentemente prometido pelo candidato Berlusconi. É inclusive um governo mais gordo e pesado que o de centro-esquerda liderado pelo professor Giuliano Amato, que a partir de hoje substituirá no Palácio Chiggi de Roma. Se o de Amato era integrado por 24 pessoas (um chefe e 23 ministros), o formado por Berlusconi reunirá 26 (ele mesmo, coadjuvado por 25 ministros).

   Como todos os seus antecessores - e repetindo erros que ele próprio reconheceu ter cometido no primeiro governo que chefiou, por sete meses em 1994 - o cavaliere Berlusconi foi obrigado a atender à cobrança de seus partidos aliados, no momento da distribuição dos cargos. O critério que prevaleceu foi o clássico, aquele que na Itália é conhecido como o do ''loteamento das áreas do poder político''.

   Loteamento - Adotando mais uma vez este critério, Berlusconi perdeu a oportunidade de fazer história como o primeiro governante da Itália a não ceder às pressões partidárias e a pôr em prática a reforma administrativa aprovada ano passado pelo parlamento nacional, limitando em 12 o número dos ministérios.

   A capitulação de um Berlusconi que se propôs como renovador, inovador e modernizador da Itália às imposições dos partidos é confirmada pela repartição dos ministérios, em função do peso eleitoral e político de cada uma das forças integrantes da coalizão direitista vitoriosa nas eleições realizadas há um mês. Dos 25 ministros que governarão com o cavaliere, 10 pertencem à Força Itália, cinco à neofascista Aliança Nacional, três à separatista e racista Liga Norte, um ao Centro Cristão Democrático, um aos Cristãos Democráticos Unidos e cinco são considerados técnicos apartidários.

   Para satisfazer o grande apetite dos seus aliados da coalizão de direita, Silvio Berlusconi viu-se forçado até mesmo a inventar novos ministérios, como o confiado ao velho fascista Mirko Tremaglia, que será ministro dos italianos no mundo, assim como o da Descentralização (de taxas e impostos) e do reconhecimento da autonomia das regiões, confiado ao presidente da Liga Norte, Umberto Bossi. Na Economia estará Giulio Tremonti, da Força Itália, que já ocupara a pasta em 1994, e nas Relações Exteriores, o ex-diretor da Organização Mundial do Comércio Renato Ruggiero, um dos independentes do novo gabinete. (Jornal do Brasil)


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