FABIO CYPRIANO
No jardim, uma escultura de Tunga ao lado de outra de Henry Moore. Na parte
interna da casa, fotos de Miguel Rio Branco na mesma parede de quadros de Pollock. Tudo
isso no pequeno Peggy Guggenheim de Veneza.
Não há dúvida que as artes plásticas brasileiras
conquistaram na Itália um espaço raro de visibilidade. O Peggy Guggenheim contém uma
das melhores coleções de arte moderna da Itália.
"A Bela e a Fera", a escultura de Tunga, é a mais recente aquisição do museu,
feita especialmente para o seu jardim interno. Presa por correntes a duas árvores, ela
foi criada para ter um efeito especial: "com o crescimento natural das árvores, a
escultura irá flutuar", conta Tunga.
Já o fotógrafo Miguel Rio Branco teve como obra mais
impactante o painel "Sketches in Red". Um mosaico de imagens avermelhadas cobre
um terço da fachada do museu, voltada para o Gran Canale.
Dentro do museu, Rio Branco apresenta ainda uma série de
fotografias. A seleção dos dois artistas para o Peggy faz parte dos eventos paralelos à
bienal programados pela associação BrasilConnects, com curadoria do italiano Germano
Celant. Anteontem, o jornal "La Republica" criticou o curador por apresentar,
junto a artistas contemporâneos, figurinos de Carnaval e peças de Carmem Miranda. Celant
não se abalou: "É melhor falarem mal do que não falarem", disse à Folha.
Durante o evento, Rio Branco, Tunga e o artista
norte-americano Robert Gober foram anunciados como os homenageados do museu na bienal.
Ontem foram anunciados os vencedores do Leão de Ouro. São
os artistas Richard Serra e Cy Twombly. (Folha de S. Paulo)